Jornal Estado de Minas

Advogado que defendia suposto serial killer em Goiânia deixa caso

Thiago Húascar rompeu com o cliente alegando questões financeiras. Assassino confesso perguntou se podia matar dentro da cadeia, diz delegado

Júlia Chaib Étore Medeiros
Preso desde terça-feira passada, Tiago confessou 39 assassinatos - Foto: Ruber Couto
O advogado Thiago Húascar deixou de representar o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, 26 anos, suspeito de assassinar a tiros 39 pessoas em Goiânia. O defensor abandonou o caso nessa segunda-feira ao alegar que não havia chegado a um acordo financeiro com a família do homem apontado como serial killer. De acordo com o delegado Eduardo Prado, Tiago “varia muito” e perguntou a policiais se seria crime matar na cadeia. Ele está preso desde a última terça-feira em uma cela isolada na Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc).

De acordo com Prado, o suspeito é monitorado o tempo todo, principalmente depois de ter tentado se matar na última semana, ao cortar os pulsos com pedaços de vidro de uma lâmpada quebrada. “Ele perguntou se seria crime matar alguém no presídio, se haveria algum problema. Mas ele varia demais. Ele fez o comentário em uma conversa meio que informal e depois disse que era brincadeira, que não estava falando sério”, disse o delegado. Prado contou ainda que Tiago leu cerca de 50 revistas de domingo para segunda-feira.
“Ele lê de forma diferente. Começa a ler a revista no final e depois vai para o início, de forma rápida.”

O advogado Thiago Húascar afirmou que o ex-cliente se portava normalmente. O comportamento não foi motivo para deixar o caso, acrescentou. “O motivo foi o contrato entre nós. Não chegamos a um valor, o contrato de honorário de advocacia. A família não teve condições de arcar com o que pedimos. É um processo grande que demanda tempo, estudo e trabalho. Teria quase uma exclusividade toda no processo”, justificou. Huáscar disse que na quarta-feira Tiago deve ser transferido para uma penitenciária, onde também ficará em cela isolada. O advogado disse ainda que a mãe do rapaz, que é auxiliar de um órgão público em Goiânia, já está buscando outro defensor para assumir o caso..