Jornal Estado de Minas

Greenpeace denuncia exportação ilegal de madeira da Amazônia para Europa

Investigação feita em Santarém, no norte do Pará, revelou que europeus tiveram uma relação comercial direta com três madeireiras usadas como "lavanderias"

AFP

Clareiras e rotas abertas na selva são retratadas em sobrevoo de avião - Foto: Otávio Almeida/Greenpeace

A ONG ambientalista Greenpeace denunciou que árvores da Amazônia brasileira estão sendo cortadas clandestinamente e transportadas em caminhões para serralheiras que, em seguida, tratam e exportam a madeira como se fosse produto legal para França, Bélgica, Suécia e Holanda. A denúncia foi publicada após uma operação de monitoramento feita, entre agosto e setembro, pela organização.


A investigação do Greenpeace em Santarém, no norte do Pará, revelou que estes quatro países europeus tiveram, entre janeiro e agosto deste ano, uma relação comercial direta com três destas serralheiras. As serralheiras identificados pela ONG foram Rainbow Trading Importação e Exportação Ltda., Comercial de Madeiras Odani Ltda., e Sabugy Madeira Ltda.

"A Rainbow Trading exporta para a França e a Odani é subcontratada da Rainbow", explicou a porta-voz do Greenpeace, Marina Lacorte. Santarém concentra o principal polo da indústria madeireira do Pará, estado que produz e exporta mais madeira da Amazônia, informou o Greenpeace em comunicado enviado à AFP.

Em sobrevoo na região, feito na terça-feira em avião do Greenpeace, foi possível ver "várias clareiras e rotas abertas na selva", constatou um repórter da AFP/TV.

O Greenpeace conseguiu estabelecer "os laços de uma rede de exploração suja que destrói as áreas distantes da selva e que está ligada à violência contra comunidades locais", disse. "São pequenas áreas que demoram a aparecer e as imagens de satélite não as detectam", informou Lacorte.

- Foto: Otávio Almeida/GreenpeaceA investigação do Greenpeace - que escondeu aparelhos de GPS debaixo dos caminhões que transportam madeira para vigiar seu trajeto - revelou, ainda, "que os documentos oficiais não são nem sequer capazes de garantir a origem legal da madeira".

Em 2006, o ministério do Meio Ambiente transferiu a responsabilidade da exploração florestal aos estados, que fecham os olhos e chegam até mesmo a incentivar a atividade, avaliou Lacorte. Segundo dados do Instituto Imazon, entre agosto de 2011 e julho de 2012, 78% das regiões de atividade florestal no Pará não tinham autorização para cortar madeira.

A madeira de ipê, muito cobiçada na Europa sobretudo para construir deques de piscinas, pode chegar a custar US$ 3.200 o metro quadrado. O Greenpeace pediu ao governo brasileiro que revise todas as autorizações entregues desde 2006 às madeireiras e para retomar o controle da atividade.

O Greenpeace lançou em maio a campanha "A crise silenciosa da Amazônia" e denunciou que de 20% a 40% da madeira exportada para a Europa têm origem ilegal. "Ao manter suas portas abertas à madeira ilegal, o mercado se torna cúmplice da destruição na Amazônia", avaliou a ONG.

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