A ação que levou às prisões foi gravada por câmeras de segurança da Base Aérea do Galeão e dos carros dos policiais. Os policiais encaminharam três dos cinco criminosos detidos à delegacia, mas duas lideranças da facção criminosa local foram sequestradas e levadas a lugar isolado.
Conforme a investigação do MP-RJ e da Subsecretaria de Inteligência, os policiais exigiram pagamento de R$ 300 mil para liberar os dois criminosos. Em seguida, revenderam, por R$ 150 mil, parte das armas apreendidas para representantes da própria facção. Desse total, pelo menos R$ 40 mil teriam sido destinados ao coronel Dayzer Corpas Maciel, comandante do Batalhão e um dos suspeitos presos no dia.
Durante as investigações ainda foram descobertos indícios de que a facção criminosa pagava quantia semanal aos policiais do 17º BPM, para que eles não reprimissem suas atividades ilegais. Motoristas de transporte alternativo também pagavam propina. Outros policiais podem estar envolvidos no esquema.
“Isso ficou caracterizado na investigação. O pagamento seria às sextas-feiras. Os responsáveis pelo transporte alternativo e pelo tráfico de drogas pagavam valores altos para que não houvesse repressão. Assim, eles agiam livremente”, disse Fábio Galvão, subsecretário de Inteligência.
A Subsecretaria de Inteligência também investigará o coronel Dayzer, por suspeita de compra, na loja de sua esposa, de materiais de construção usados em obras do batalhão. Conforme Galvão, há suspeitas, inclusive, de notas fiscais adulteradas para superfaturar os materiais.
Comando
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que não haverá mudanças no Comando Geral da Polícia Militar, chefiado pelo coronel Luís Castro Menezes.
"As investigações não chegaram ao comandante", garantiu o secretário, em referência também à Operação Amigos S/A, que prendeu 26 policiais militares que atuaram no 14º BPM (Bangu), entre eles o coronel Alexandre Fontenelle, detido quando estava no Comando de Operações Especiais (COE), que abriga o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Não há relação entre as duas operações. Ele acrescentou que "de maneira nenhuma iria intervir em movimentação de policiais, seja lá quem for, considerando que as pessoas estão sendo investigadas".
"Vamos seguir nesse trabalho (de investigação em parceria com o MPRJ). Se as polícias fizessem elas mesmas esse trabalho, seria muito melhor. Não estamos aqui para passar a mão na cabeça de ninguém, mas também não vamos cometer nenhuma injustiça e nem antecipar qualquer tipo de juízo."