Paulo VI é ainda o papa da encíclica Populorum Progressio (Progresso dos povos), na qual defendia o acolhimento dos desvalidos, a divisão das terras e o imposto sobre grandes fortunas. Dizia haver chegado a hora da ação para os católicos. Estes deviam mudar a realidade injusta dos países subdesenvolvidos, o que estimulou na América Latina a leitura dos Evangelhos dos teólogos da libertação.
Mas Montini também foi o papa da encíclica Humanae Vitae (Sobre a Vida Humana), de 1968, que condenou o aborto e os métodos artificiais de contracepção, como a pílula. Ele foi crucificado em vida por causa desse documento. É emblemático esse milagre. De fato, Paulo VI tenderá a ser visto como um santo pró-vida, disse o professor de Teologia e diretor do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Francisco Borba Ribeiro Neto.
Após as reformas dos anos 1960, como a da liturgia - com a missa nas línguas nacionais em vez do latim -, a Humane Vitae foi um marco. É quando a opinião pública se dá conta de que o corpo central do magistério da Igreja não seria mudado, disse Borba.
Ele (Paulo VI) foi tremendamente corajoso, afirmou o capelão do Mosteiro da Luz, José Arnaldo Juliano dos Santos. O milagre de Paulo VI ocorreu nos Estados Unidos, em 2001, país onde o aborto foi legalizado em 1973 pela Suprema Corte. A mãe estava no quinto mês de gestação quando médicos disseram que o feto teria graves problemas e podia até morrer. Depois, não souberam explicar o nascimento sadio do menino. Após a beatificação, Montini deve ser canonizado, a exemplo dos papas João XXIII e João Paulo II. Com isso, dizem Borba e José Arnaldo, o Concílio Vaticano II passa a ser compreendido como uma obra de santos..