O desrespeito frequente levou a Comissão Permanente da Infância e da Juventude (Copeij), formada por promotores de todas as regiões do Brasil, a aprovar um enunciado prevendo a possibilidade de aplicação da Lei Maria da Penha pelas varas da infância e da juventude (leia Para saber mais). “Não podemos afirmar que são muitos casos, mas eles ocorrem e é preciso garantir a proteção, especialmente da vítima”, defende o promotor da Vara da Infância e da Juventude do DF, Renato Barão Varalda (veja Palavra de especialista).
Há quase um ano, a servidora pública Juliana, 60 anos, moradora do Plano Piloto, luta para tirar a filha Paula, de 17, de uma depressão provocada pela desilusão amorosa que terminou na DCA. O relato de Juliana ao Correio é interrompido várias vezes pelo choro. “Como fui idiota.
Paula começou a namorar pouco antes de completar 16 anos. Como combinado com a mãe, um tempo depois, pediu uma consulta com o ginecologista, pois queria iniciar a vida sexual. Eu enrolei um pouco, achava cedo, mas ela insistiu e fomos. Levei-a a uma loja de lingerie, compramos uns conjuntinhos bonitos, e eu disse que, quando ela quisesse, eu os deixaria a sós no apartamento para que ela vivesse aquele momento e guardasse boas lembranças desse dia. Ela recusou. Disse que queria que eu estivesse lá, que não era para sair”, conta Juliana.
Em meados de agosto, a menina mudou o comportamento. Estava mais agressiva em casa. Juliana viu um roxo no braço da filha. A jovem respondeu que tinha machucado na escola, em um jogo. Um tempo depois, outra marca.