Desde o início da crise no Cantareira, em janeiro, a Sabesp tem remanejado água dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para cerca de 1,6 milhão de clientes da capital que eram atendidos pelo principal manancial paulista. “Vai entrar também daqui a alguns meses o Rio Grande. Vamos substituindo várias áreas por outros sistemas”, disse Alckmin durante entrega de obras e liberação de recursos na região de Franca, no interior.
O volume de água é suficiente para abastecer 150 mil habitantes. Ontem, o nível do Cantareira voltou a cair e atingiu 12% de sua capacidade, a menor marca da história.
O Sistema Rio Grande abastece cerca de 1,6 milhão de habitantes de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema - 7% da população da Grande São Paulo. Ontem, o sistema estava com 95,6% da capacidade.
Segundo a Sabesp, o Alto Tietê passou a abastecer os bairros da Penha, Ermelino Matarazzo, Cangaíba, Vila Formosa e Carrão, todos na zona leste. A Represa do Guarapiranga socorreu os bairros Jabaquara, Vila Olímpia, Brooklin e Pinheiros, nas zonas sul e oeste da capital.
A companhia alega que são as “manobras operacionais” para fazer o remanejamento na rede que estão provocando falta d’água em São Paulo, em especial à noite, quando a pressão foi reduzida em 75%, conforme o Estado revelou na semana passada. Para a Prefeitura, a medida significa racionamento noturno. A Sabesp nega. A região sudeste, que receberá água do Rio Grande, inclui bairros como Ipiranga e Sacomã, no limite com o ABC.
Multa
Segundo o governador, a partir do próximo mês, os cerca de 17 milhões de moradores da Grande São Paulo abastecidos pela Sabesp poderão ser multados caso aumentem o consumo de água. Para Alckmin, a medida complementa o plano de bônus da companhia que dá desconto de 30% para quem economizar ao menos 20%. “Vamos estabelecer o ônus para quem gastar mais água”, confirmou o governador. A punição vai obedecer à lógica inversa ao bônus: multa de 30% para quem gastar 20% a mais. Mesmo com as novas ações previstas, Alckmin voltou a afirmar que o racionamento de água generalizado não está descartado. “Se for necessário, será feito”, disse.
Na semana passada, o comitê anticrise que monitora o Cantareira recomendou que a Sabesp se planeje para captar menos água do manancial a partir de maio. Quando a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) determinaram a redução do volume retirado do sistema, em março, a Sabesp cortou em 15% a quantidade de água vendida no atacado para São Caetano e Guarulhos. Este último decretou rodízio oficial.
Tarifa
Alckmin negou caráter eleitoreiro no adiamento do reajuste de 5,4% na conta de água da Sabesp.
Em nota aos investidores, a Sabesp informou que vai adotar o aumento “em data oportuna até dezembro” e anunciou corte de R$ 900 milhões no orçamento deste ano. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..