Para ele, a crise verificada hoje, em que o Sistema Cantareira bate recordes seguidos de baixa de sua reserva de água, ainda é muito pequena diante da que se avizinha, caso não chova.
Vicente Andreu pregou o diálogo entre os Estados envolvidos na disputa como a única forma de superar os problemas no abastecimento no curto prazo. "A situação é complexa, porque os interesses postos à mesa são legítimos. Por isso, é mais difícil resolver", disse ele. O Sistema Cantareira, o maior do Brasil, sempre carregou um problema desde que foi criado pelo então ministro Shigeaki Ueki (Minas e Energia), durante o governo de Ernesto Geisel (1974-1979), disse o presidente da Ana.
"Para garantir a reserva de São Paulo, o sistema acabou por criar uma reservação (acúmulo de água) negativa, sempre abaixo da média histórica.
Uma solução de curto prazo, segundo ele, seria utilizar, e bem, a água disponível para tentar atravessar o período de estiagem. Em seguida, seriam tomadas as medidas restritivas. "Se não forem tomadas, o volume útil poderá secar, com risco de isso acontecer antes de as chuvas virem, em novembro. Mas, e se não vierem?" perguntou ele. "É preciso tomar medidas preventivas. E, depois, rezar para que chova. Não haverá nenhuma solução técnica de engenharia de curto prazo."
Para Vicente Andreu, a situação é mais complexa ainda porque, além dos problemas originados na própria natureza, há nela um componente político e eleitoral. "A discussão entre São Paulo e Rio de Janeiro me pareceu no começo que tinha mais a ver com voto do que com água. O cidadão de São Paulo não vota no Rio e o do Rio não vota em São Paulo. Isso é fato. Mas a água do Rio de Janeiro e de São Paulo está interligada." Por isso, segundo ele, há um grande esforço na ANA para pôr à mesa os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas para que se busque uma solução e não o confronto na disputa pelas reservas hídricas.
"A questão central dos recursos hídricos é integração. Se não conseguirmos uma solução integrada, vamos tomar decisão errada." Ele disse que é admirador do Sistema Macrometrópole, que o governo de São Paulo pretende fazer para garantir o abastecimento de água no Estado.