Nos 60 anos que dedicou à arquitetura e ao urbanismo, o italiano nascido em Trieste que emigrou para o Brasil aos 12 anos jamais parou de pensar a cidade que o acolheu, caótica e carente de planejamento. Wilheim assina projetos que se tornaram cartões-postais paulistanos, como a reurbanização do Vale do Anhangabaú e a recuperação do Pátio do Colégio, ambos na região central. Também são dele os projetos do Parque do Anhembi, do Hospital Albert Einstein, do clube A Hebraica, do Jockey e do Shopping Center 3, entre outros.
Trajetória. Formado em Arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, encarou logo no início da carreira o desafio de projetar Angélica, uma cidade de 15 mil habitantes em Mato Grosso.
Em nota divulgada ontem, o Mackenzie afirmou que a "arquitetura perde um ícone". "Wilheim soube como ninguém aliar a capacitação técnica e a articulação política. Durante toda a sua vida, colocou seu conhecimento a serviço do interesse público, exercendo cargos importantes na administração pública municipal e estadual", disse o arquiteto Valter Caldana Junior, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da universidade.
Defensor do planejamento estratégico, Wilheim foi pioneiro na criação dos Planos Diretores - ao longo da carreira, assinou planos urbanísticos de mais de 20 municípios, entre eles, o de São Paulo.
No campo político, foi secretário de Economia e Planejamento do Estado (1975-1979) - quando criou o Procon, a Fundação Seade, a Empresa Metropolitana de Transporte Urbano (EMTU) e o vale-transporte - e duas vezes secretário Municipal de Planejamento (1983-1986 e 2001-2004).
"O Estado de São Paulo perde hoje um grande homem e a Fundação Seade, um amigo", afirmou Maria Helena Guimarães de Castro, diretora executiva da Fundação Seade. A ministra da Cultura, Marta Suplicy - de quem ele foi secretário -, lembrou do "renome internacional" de Wilheim. "Deixa enorme vazio pela sua lucidez, visão de mundo, competência e seriedade", declarou.
O arquiteto publicou dez livros. Entre eles, São Paulo Metrópole 65 (1968), O Substantivo e o Adjetivo (1976) e A Obra Pública de Jorge Wilheim (2003). A edição de 2011 de São Paulo: Uma Interpretação foi reconhecida como melhor livro publicado sobre São Paulo naquele ano, pela Academia Paulista de História.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..