A morte do cinegrafista da TV Bandeirantes foi a primeira envolvendo o ataque de um manifestante. No entanto, outros seis profissionais foram assassinados em 2013 - a mando de grupos políticos, de agiotagem e de narcotráfico.
Em encontro com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, representantes da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) criticaram os abusos da Polícia Militar durante as manifestações. De acordo com levantamento da Abraji, 75% dos 118 ataques que apurou desde junho, contra 108 profissionais de imprensa, partiram de PMs. Os números são diferentes porque há casos de profissionais agredidos mais de uma vez. ANJ e Abert têm outro levantamento - com 126 registros.
Em 60% dos casos, as agressões foram deliberadas, depois de o profissional identificar-se como jornalista, diz o presidente da Abraji e colunista do jornal "O Estado de S.Paulo", José Roberto de Toledo. Claramente, os locais com maior violência foram Rio de Janeiro e São Paulo, com destaque também para Brasília, explica. Acho assombroso esse número de agressões deliberadas.
Luto
No encontro em Brasília, as entidades enfatizaram que o despreparo das polícias favoreceu o clima de violência. O presidente da ANJ, Carlos Fernando Lindenberg Neto, destacou que hoje o jornalista precisa trabalhar camuflado. Já o presidente da Abert, Daniel Slaviero, criticou a demora no enfrentamento do problema. Sem isso, possivelmente não estaríamos vivendo o luto pela morte de um colega.
Cardozo deixou claro que o governo pretende repartir com os Estados a responsabilidade de planejar um pacote de medidas. E anunciou que um grupo de trabalho para discutir especificamente crimes contra jornalistas começará a se reunir na terça no Ministério da Justiça.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..