No outro extremo estão os registros feitos para roubos de carros onde 90% das vítimas fazem registros policiais. “Uma das hipóteses é de que as pessoas que foram discriminadas ou sexualmente ofendidas não encaram a ação como crime. A baixa confiança na polícia também é um desestimulo ao pedido de ajuda” diz o sociólogo Claudio Beato, coordenador da pesquisa de vitimização.
Para Frei David Raimundo dos Santos, da ONG Educafro, o descaso da polícia militar e civil com o negro acaba servindo como desestímulo. “Grande parte acha que não vale a pena reclamar, porque o sistema é institucionalmente contaminado pelo descaso e acaba gerando o racismo”, diz.
Notificação
As taxas de notificação são mais altas nas Regiões Norte e Centro-Oeste. Em Brasília, primeiro do ranking, 33,3% dos habitantes comunicaram as ocorrências. Roraima (31,3%) e Rondônia (31,2%) vêm logo em seguida. As taxas mais baixas de registros policiais ficam no Nordeste. Na Paraíba, somente 11% das vítimas procuraram as autoridades, seguida pela Bahia (13 7%), Rio Grande do Norte (14,2%) e Pernambuco (14,6%). São Paulo fica em nível intermediário, com 21,8% dos registros. As pessoas de classe alta (22,9%) e de nível superior (24,2%) foram as que mais procuraram a polícia.