A justiça russa liberou nesta terça-feira sob fiança a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, militante do Greenpeace detida durante uma ação da organização de defesa do meio ambiente no Ártico, anunciou a ONG no Twitter. Ana Paula é a primeira ativista estrangeira liberada entre os 30 militantes detidos na ação, segundo a organização.
Na segunda-feira, a Rússia libertou três russos após o pagamento de fiança de dois milhões de rublos (45.000 euros, quase 140.000 reais): o porta-voz Andrei Allakhverdov, a médica Ekaterina Zaspa e o fotógrafo independente Denis Siniakov.
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Ativista do Greenpeace é acusada por vandalismo pela RússiaMãe de ativista do Greenpeace quer viajar para ver filhaGreenpeace faz ato em SP pela libertação de ativistas presos na RússiaAtivistas do Greenpeace escalam mastro da Praça dos Três PoderesMas o australiano Colin Russel teve a detenção prorrogada até 24 de fevereiro. "A libertação sob fiança de quatro membros da tripulação é, sem dúvida, uma boa notícia", comemorou o Greenpeace em um comunicado.
"Mas não podemos esquecer que as acusações não foram retiradas e que eles ainda correm o risco de serem condenados à prisão", ressaltou a ONG.
"Os procuradores decidiram por enquanto que não havia base para manter as pessoas na prisão, e isso é razoável. Mas eles serão mais razoáveis ainda se retirarem as acusações absurdas que pesam sobre os ativistas", declarou um advogado do Greenpeace na Rússia, Anton Beneslavski, citado no comunicado.
A ONG já arrecadou o valor necessário para a libertação dos quatro ativistas e vai depositar a fiança "nas próximas horas".
Vários tribunais de São Petersburgo iniciaram na segunda-feira a análise da detenção provisória dos 30 tripulantes que expira em 24 de novembro.
Na sexta-feira, o Greenpeace anunciou que a Comissão de Investigação, principal órgão responsável pelas investigações criminais na Rússia, desejava manter os ativistas presos por mais três meses, para "concluir a investigação".
Os 30 membros da tripulação do Arctic Sunrise foram detidos no dia 19 de setembro pelas autoridades russas quando tentavam escalar uma plataforma de petróleo no mar de Barents para denunciar os riscos ambientais.
Eles devem responder às acusações de pirataria e de vandalismo, pelas quais podem ser condenados, respectivamente, a 15 e sete anos de prisão.