Haddad afirmou que o ex-titular da Subsecretaria da Receita Municipal Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como chefe da quadrilha, procurou Donato após ser ouvido na Controladoria-Geral do Município (CGM). Segundo Haddad, Donato comunicou à CGM que o funcionário o havia procurado. “Ele incidiu diretamente para que as investigações prosperassem e concorreu para que as elas acontecessem”, afirmou o prefeito.
Questionado sobre o motivo de Donato permanecer no cargo, enquanto outros funcionários públicos que aparecem no inquérito têm sido afastados, Haddad afirmou que “ninguém está sendo afastado sem provas”. Donato é homem forte da administração de Fernando Haddad e foi o responsável pela coordenação da equipe de transição da atual gestão.
Duelo
Nos bastidores, porém, o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, complicou ainda mais a situação do Donato. Em conversa com o prefeito, ele teria deixado claro que o secretário de Governo fez questão de que Ronilson Rodrigues fosse contratado como diretor financeiro da São Paulo Transporte (SPTrans).
Tatto e Donato são rivais políticos. Um aliado de Donato - o deputado federal Carlos Zarattini (PT) - era um dos candidatos ao cargo hoje ocupado por Tatto. Apesar de assumir a pasta, Tatto teve de aceitar indicações do grupo de Zarattini, do qual Donato faz parte.
Quando foi divulgado o nome de Rodrigues na investigação, Tatto se apressou a afirmar que o cargo era indicação do secretário de Governo. Só então, por meio de nota, Donato admitiu que havia sugerido o nome dele para o cargo na SPTrans. “Isso foi em janeiro, não existia nenhuma investigação sobre ele”, disse Donato em entrevista ao Estado. De acordo com o secretário, a indicação não foi feita para Jilmar Tatto, mas para o secretário de Finanças, Marcos Cruz.
Enquanto Donato estaria em uma situação difícil dentro da Prefeitura, Tatto é responsável pela maior vitrine da gestão Haddad até agora: a implementação das faixas exclusivas de ônibus na cidade. Também está a cargo dele tirar do papel o Bilhete Único Mensal.Além disso, na Câmara, a família Tatto tem mais influência que Donato. A casa conta com Arselino, líder do governo, e Jair Tatto. (Colaborou Fábio Leite).