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Com médicos estrangeiros, Tocantins espera dias melhoresCorreção: Fortaleza quer nova seleção do Mais MédicosFortaleza pede nova seleção para o Mais MédicosO índice reflete a realidade de algumas faculdades de São Paulo. O programa de residência da Santa Casa de Misericórdia, por exemplo, tem oito bolsas autorizadas para Medicina de Família e Comunidade, mas só duas estão preenchidas. “Não abrimos todas porque não há procura”, diz o presidente da comissão de residência, Rogério Pecchini.
“A atenção básica não oferece status. Os recém-formados buscam isso em especialidades, como cancerologia ou radiologia, em que temos 55 candidatos por vaga. Espero que o Mais Médicos ajude a mudar esse quadro”, diz o diretor Roberto de Queiroz Padilha. O programa federal usa a falta de interesse dos brasileiros para justificar a importação de profissionais formados no exterior.
A valorização de especialidades como neurologia e cirurgia plástica provoca uma discrepância na oferta de bolsas para saúde comunitária até onde a demanda por esse profissional é alta. O mapa da distribuição das vagas de residência em Medicina de Família e Comunidade mostra que todos os anos são abertas 702 vagas - só 6% das 11.383 bolsas oferecidas aos formandos de Medicina.
Em quantidade absoluta, Minas Gerais tem o maior número de matrículas nesse tipo de residência: 126. Já no levantamento per capita, Roraima é o primeiro do ranking, com 1,8 vagas por 100 mil habitantes. Na contramão, a chance de achar um médico de família no Piauí, Rondônia e Amapá é zero - não existe ensino específico nos três Estados. Hoje, há 3.253 médicos de família no Brasil - o que representa 0,9% do total de profissionais com registro.
Futuro
Uma das explicações é a falta de perspectiva da carreira. Apesar de alguns locais pagarem salários altos, que chegam a R$ 30 mil mensais para segurar um médico da família, as poucas chances de progresso do serviço público afastam candidatos. Há ainda incertezas sobre a possibilidade de transferência para cidades maiores.
“O Programa Saúde da Família é pouco atrativo. E não se trata de salário. O médico que aceita trabalhar em locais de difícil acesso se sente sozinho. Não há respaldo e apoio que garanta a ele que o trabalho será bem sucedido”, diz Gilmar Fernandes do Prado, que coordena a comissão de residência médica da Universidade Federal de São Paulo. Assim, quem aceita trabalhar com saúde da família não é especializado e fica pouco tempo no emprego, geralmente só até conseguir vaga em outra área.