A filha, a única dos cinco filhos que mantinha contato com o pai, o atraiu com o pretexto de levá-lo ao médico e ofereceu um café com sedativo. "Tive de fazer isso, pois ele estava num período muito violento e não aceitaria o tratamento", contava, enquanto aguardava a saída do pai. Segundo ela, Reinaldo era considerado um caso perdido. "Ele tinha levado todas as coisas de casa para trocar por droga e meus irmãos se afastaram. Passava a maior parte do tempo na rua." Ela ficará responsável pelo pai até segunda-feira à noite, quando ele deve voltar para o centro terapêutico. "O mais difícil vai ser mantê-lo longe da rua e dos amigos, mas eu e ele sabemos que isso é necessário."
Reinaldo contou que os primeiros meses sem a droga foram muito difíceis. Depois, a saúde melhorou e ele até ganhou "alguns quilos". Agora, espera perseverar no tratamento. "Isso (a droga) não é um brinquedo e depois que entra é difícil sair. O vício é pior que uma doença", disse. O tratamento deve durar um ano. O processo de ressocialização exige que ele saia mais algumas vezes e reforce os vínculos familiares. "Quando ele estiver bom, vai saber que tem uma casa para ficar", disse a filha.