Moradores da Rua Santo Elias, no Espinheiro, e Recife, foram surpreendidos na manhã deste domingo com barulho de moto serras. Da janela dos edifícios, era possível ver parte da árvore centenária acácia mimosa no chão. A vizinhança chegou a travar uma guerra, que teve apoio do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), para evitar a derrubada do arbusto. Mas não adiantou. Neste domingo, a árvore foi finalmente derrubada.
O advogado da Contrutora, Nixon Araújo, explicou que a apartir do laudo de um engenheiro florestal a árvore foi avaliada e indicava que poderia, no futuro, dar "problemas" ao prédio. Os moradores, no entanto, rebatem que a árvore nunca mostrou sinais de "doenças", como cupim, por exemplo. O advogado contou que, por determinação do MPPE a Contrutura já plantou no bairro 12 ipês como compensação da árvore derrubada.
Em setembro do ano passado, quando a incorporadora foi acionada pelo Ministério Público, a engenheira da obra Nadja Lucas explicou que o projeto não levou em conta a existência da acácia e que a entrada do edifício será justamente no lugar da árvore, assegurando que a intervenção estaria dentro da lei. Ela informou ainda que duas novas árvores seriam replantadas em substituição. Na ocasião, a promotora do MPPE Belize Câmara foi ao local e notificou a incorporadora, suspendendo a derrubada da árvore até que a análise da autorização ambiental fosse concluída.
Neste domingo, enquanto a árvore estava sendo derrubada, a revolta dos moradores era tamanha que precisou de mediação, sendo por 20 minutos seu corte suspenso. O juiz Adeildo Nunes e o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Jorge Batista, que passavam pelo local, tentaram, junto com policiais, fazer moradores e representantes da construtura entrar em um consenso. Como não foi possível, a contrutora que estava de posse do documento que autorizava o corte da árvore, puderam continuar o serviço.