"A ANS não tem competência legal para fixar reajuste, mas entende que a melhor forma é ter um contrato com regras claras. Quanto mais claras forem as regras, menos paralisações de atendimento", afirmou o diretor de Desenvolvimento Setorial, Bruno Sobral.
Médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, e outros prestadores de serviço se queixam da relação desigual com os planos de saúde. É o caso de laboratórios de análises clínicas. "Somos remunerados de acordo com tabelas criadas em 1990 e não tiveram reajuste que acompanhasse a inflação. A instrução normativa da ANS que estabelece critérios de reajuste é tão flexível que comecei a receber proposta de aumento de 20% do IGPM. Esse arrocho consome recursos que iriam para qualificação; as empresas estão em dificuldade. Pode colocar em risco, inclusive, a qualidade do serviço prestado", afirmou Vitor Pariz, diretor da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica.
Dificuldades
De acordo com Pariz, os donos de laboratório têm tido dificuldade de manter o negócio. "Eram empresas familiares e muitas estão sendo vendidas. Grandes laboratórios são formados por 100, 130 pequenos laboratórios. Isso não é saudável."
O diretor da ANS reconhece que há desigualdade na relação entre planos e prestadores. "Um lado sempre terá poder de barganha maior. A cláusula da livre negociação não pode vir sozinha no contrato, tem de estar acompanhada de outra que utilize índice vigente, público", afirmou Sobral. "Se a negociação não for justa, a relação se quebra. E não interessa às operadoras ter hospital sucateado para atender os beneficiários", afirmou.
O diretor da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin, afirma que as 29 associadas zelam pelo cumprimento das normas da ANS. "O que ocorre é que recentemente a ANS editou resolução, exigindo cláusulas adicionais para especificar o reajuste e prorrogou em 90 dias a entrada em vigor da nova regra", afirmou. Ele disse que as operadoras estão se adequando. Ele também reconheceu a "disparidade" de poderes entre operadores e prestadores, mas lembrou que as empresas seguem as regras fixadas pela agência.
O Guia Prático da Contratualização está disponível para download no site da ANS (www.ans.gov.br).