Após década de domínio pelo tráfico de drogas, a Rocinha foi ocupada pelas forças de segurança em novembro de 2011. A comunidade ganhou uma UPP em setembro de 2012. Uma semana antes da inauguração da UPP, o soldado Diego Bruno Barbosa Henriques, de 25 anos, foi atingido por um tiro de pistola calibre 9 milímetros na cabeça, quando fazia patrulhamento na parte alta da favela. Ele chegou a ser levado ao Hospital Miguel Couto, mas não resistiu.
Em 4 de abril do ano passado, quando a Rocinha ainda estava ocupada por PMs do Batalhão de Choque, o cabo Rodrigo Alves Cavalcante, de 33 anos, foi baleado no ombro esquerdo e na altura da axila, num beco próximo à Rua Um, na parte alta da Rocinha. Ele também morreu no hospital. Após efetuarem disparos, os criminosos fugiram.
Habeas corpus
A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio concedeu, na terça-feira (30), habeas corpus a William de Oliveira, o William da Rocinha, e Alexandre Leopoldino Pereira da Silva, o Perninha - respectivamente ex-presidente e ex-vice-presidente de uma das associações de moradores da comunidade. Na ocasião, William da Rocinha também era assessor do gabinete da vereadora do Rio Andrea Gouveia Vieira (PSDB). Ele foi exonerado.
O habeas corpus foi concedido menos de uma semana após a condenação de ambos a 4 anos de prisão em regime semiaberto, pela 38ª Vara Criminal, pelos crimes de associação para o tráfico e tráfico de drogas. Os dois foram presos em dezembro de 2011, após a Polícia Civil ter recebido um vídeo que mostra a dupla supostamente vendendo um fuzil a Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, então chefe do tráfico da Rocinha. O bandido também foi condenado neste processo a 10 anos e 8 meses de prisão. Nem foi preso momentos antes da ocupação da Rocinha pelas forças de segurança, em 2011.
Beneficiados por serem réus primários, William da Rocinha e Perninha foram absolvidos pelo crime de posse ou porte ilegal por arma de fogo.