Concurso
Em 2011 foi lançado um concurso para eleger o melhor projeto arquitetônico. “Queríamos arquitetos brasileiros, mas que ainda não fossem medalhões”, diz Pinheiro. “A ideia era privilegiar a nova arquitetura brasileira que está surgindo e que é muito interessante.” Levou a melhor o escritório Andrade Morettin Arquitetos.
Após anos em que as poucas pedras de construção na Paulista eram os seixos rolados colocados nas floreiras dos edifícios, esta não deve ser a única obra em andamento na avenida. Houve um boom imobiliário nos anos 1980 e duas décadas praticamente sem novidades - exceções são o Condomínio CYK (inaugurado em 2003) e a Torre João Salem (de 2009). Agora, há quatro empreendimentos sendo erguidos na avenida.
A sede do Instituto Moreira Salles deve valorizar muito a localização, o “estar na Paulista”. Tanto que o projeto prevê uma escada rolante de 15 metros de altura, ligando o “meio” do prédio até o nível térreo. “Chamamos isso de térreo elevado. Será uma praça no meio do edifício, por onde o percurso pelo centro cultural efetivamente deve começar”, conta o arquiteto Marcelo Morettin. “Nossa preocupação é integrar o prédio com o entorno. Não queríamos que ele se fechasse para a cidade.”
Intelectuais nacionais e estrangeiros acreditam que a Avenida Paulista, tida como o maior centro financeiro do País, deve cada vez mais explorar sua vocação cultural. “Acho fantástica a ideia de que a avenida se torne um polo de criatividade no Brasil”, comentou o sociólogo italiano Domenico De Masi, em conversa com o jornal O Estado de S. Paulo ocorrida no mês passado, quando ele visitava a cidade.
Projeto
Dono de um acervo de 800 mil imagens, 100 mil fonogramas, 1,2 mil obras de iconografia do século 19 em papel e 400 mil documentos e livros de arquivos pessoais de escritores e pensadores, o instituto não vai ter falta de material para ser exibido no prédio da Paulista. Além das exposições, o cinema deve ser incorporado à agenda cultural paulistana, já que vai servir tanto para mostras específicas como, planeja-se, entrará para o circuito de filmes de arte.
“Também nos preocupamos em planejar o edifício de modo que não ficasse um museu burocrático”, afirma o arquiteto Morettin. A equipe encarou como um desafio o fato de o terreno ser considerado pequeno para um edifício com essas funções - são 20 metros de frente por 50 metros de fundo. “Forçosamente, acabamos tendo de resolver o prédio verticalmente”, complementa. “Mas com a ideia da praça no meio do edifício, o percurso a pé pelos espaços expositivos se torna perfeitamente agradável e possível.”
Morettin conta que foram dois meses para preparar o estudo preliminar do projeto, em 2011, a fim de participar do concurso. Uma vez escolhidos, os arquitetos do escritório ganharam o reforço de consultores e engenheiros e se dedicaram ao longo de 2012 para concluir o projeto. “Acredito que o importante foi termos partido de uma premissa de que era preciso valorizar a efervescência cultural que já existe na Paulista, com fluxo constante de todo tipo de gente”, avalia Morettin.
Tanto tempo depois, falta pouco para a obra sair do papel. O IMS corre atrás das últimas pendências burocráticas no Poder Público. A expectativa é de que a construção comece ainda neste semestre. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo.