O filho dele, Max Luiz dos Santos, de 45, disse que o avô, João Raimundo dos Santos, era agente florestal e ganhou a casa do responsável pela administração do parque na época. "Meu pai é boi de piranha. Querem enfraquecer a associação para tirar todos daqui." Ele disse que foi informado há uma semana que teria de deixar a casa. "Morei aqui a vida inteira. Tenho mulher, três filhos, uma nora e uma neta de três anos. Não sei o que fazer."
Nas três casas da família Santos ameaçadas de despejo, vivem 13 pessoas. Ao todo, 621 famílias moram em casas construídas dentro dos limites do Jardim Botânico. A questão se arrasta há décadas na Justiça. "Há 25 anos, o meu pai passou mal pelo mesmo motivo e precisou colocar três pontes de safena. É muita pressão. Estamos na quinta geração aqui, não somos invasores", disse Max.
A presidente da associação, irmã do deputado federal Édson Santos (PT-RJ), que também morou no local, classificou o eventual despejo de "limpeza social". "Se esta remoção acontecer, vai abrir um precedente para retirar todo mundo. Não vamos aceitar essa limpeza social. Nossa arma maior é a resistência."
Nomeado em 2003 para a presidência do Jardim Botânico, o petista Liszt Vieira avisou ao Ministério do Meio Ambiente em agosto que pretendia deixar o cargo. Segundo ele, o motivo foi a insistência do governo federal na proposta de regularização fundiária das casas construídas dentro dos limites do Horto. Liszt luta contra a ocupação dessas áreas desde que assumiu o cargo. Ele argumenta que o Jardim Botânico e seu Instituto de Pesquisas precisam se expandir e que algumas casas ocupam margens de rios e encostas, violando a legislação ambiental. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a presidente Dilma Rousseff deve receber nos próximos dias uma lista com quatro nomes para escolher o substituto de Liszt. Entre eles, o da atual secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério, Samyra Crespo, que seria a mais cotada.