Jornal Estado de Minas

Ato no Rio repudia remoção de casas do Jardim Botânico

AgĂȘncia Estado
Cerca de 30 moradores da comunidade do Horto, na zona sul do Rio, protestaram nesta segunda-feira em frente ao prédio do Ministério Público (MP) do Estado contra decisão judicial que determina a remoção de casas localizadas dentro do Jardim Botânico. Manifestantes seguravam faixas bilíngues, traduzidas para o inglês.
Segundo a presidente da associação que representa o grupo de moradores, Emília de Souza, o objetivo era conseguir apoio do MP para tentar evitar o despejo de pelo menos quatro famílias, previsto para quarta-feira (03). Numa dessas casas mora o aposentado Delton Luiz dos Santos, de 71 anos, que nasceu no local e diz não ter para onde ir. "Como é que um filho pode ser invasor da casa do pai? Nunca ninguém falou que os descendentes iam ser colocados para fora. Querem jogar a gente na rua como se fôssemos cachorros", declarou Santos, que passou mal durante o ato e voltou para casa.

O filho dele, Max Luiz dos Santos, de 45, disse que o avô, João Raimundo dos Santos, era agente florestal e ganhou a casa do responsável pela administração do parque na época. "Meu pai é boi de piranha. Querem enfraquecer a associação para tirar todos daqui." Ele disse que foi informado há uma semana que teria de deixar a casa. "Morei aqui a vida inteira. Tenho mulher, três filhos, uma nora e uma neta de três anos. Não sei o que fazer."

Nas três casas da família Santos ameaçadas de despejo, vivem 13 pessoas. Ao todo, 621 famílias moram em casas construídas dentro dos limites do Jardim Botânico. A questão se arrasta há décadas na Justiça. "Há 25 anos, o meu pai passou mal pelo mesmo motivo e precisou colocar três pontes de safena. É muita pressão. Estamos na quinta geração aqui, não somos invasores", disse Max.

A presidente da associação, irmã do deputado federal Édson Santos (PT-RJ), que também morou no local, classificou o eventual despejo de "limpeza social". "Se esta remoção acontecer, vai abrir um precedente para retirar todo mundo. Não vamos aceitar essa limpeza social. Nossa arma maior é a resistência."

Nomeado em 2003 para a presidência do Jardim Botânico, o petista Liszt Vieira avisou ao Ministério do Meio Ambiente em agosto que pretendia deixar o cargo. Segundo ele, o motivo foi a insistência do governo federal na proposta de regularização fundiária das casas construídas dentro dos limites do Horto. Liszt luta contra a ocupação dessas áreas desde que assumiu o cargo. Ele argumenta que o Jardim Botânico e seu Instituto de Pesquisas precisam se expandir e que algumas casas ocupam margens de rios e encostas, violando a legislação ambiental. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a presidente Dilma Rousseff deve receber nos próximos dias uma lista com quatro nomes para escolher o substituto de Liszt. Entre eles, o da atual secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério, Samyra Crespo, que seria a mais cotada.