No 5º ano do fundamental, as notas ficaram em 197,6 em língua portuguesa e 207,6 em matemática. Mas a situação mais grave está nos anos finais, com piora nas duas disciplinas. Foi apenas nesse ciclo que as notas de português regrediram.
A média na disciplina caiu para 227,8 em 2012 - em uma escala que vai a 500. É a menor desde 2008. Na divisão por níveis de proficiência, a situação é também ruim: O porcentual de alunos abaixo do básico aumentou meio ponto e chegou a 28,5%. Além disso, caiu o porcentual de alunos com conhecimento adequado (de 15,2% para 14%) e avançado (de 1,8% para 1,6%).
Em matemática, o 9.º ano teve nota 242,3, com uma queda de 2,9 pontos em relação a 2011. A proporção de estudantes com nível abaixo do básico na disciplina aumentou, saltando 33,8% para 36 6%. Somente 9,1% sabem o adequado e 1% estão avançados.
O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, diz que os resultados refletem um problema conhecido. “Precisamos focar em questões como formação continuada dos professores e gestão escolar mais participativa que inclua a família na escola.” Segundo a diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, há um problema estrutural no fim do fundamental. “Essa fase continua sendo um nó invisível da educação. A própria transição para o ciclo 2 tem problemas.”
Ensino médio
Priscila ressalta que, apesar dos resultados ruins, é necessário comemorar o sucesso do ensino médio. “É uma etapa que o País tem enfrentado dificuldade, por isso temos de celebrar e ir atrás da explicação para esse sucesso.” Em português, houve aumento de 2 7 pontos na média, chegando a 268,4. A nota de matemática também cresceu, ficando em 270,4. Além disso, aumentaram os alunos com conhecimentos básicos (37,1% para 39,4%) e adequados (4,2% e 4 5%) na disciplina.
Enquanto as avaliações são vistas como diagnósticas, não faltam críticas ao não aproveitamento dos resultados. “Os governo não encara o Saresp como um meio capaz de produzir ações efetivas”, diz Nilson José Machado, professor da faculdade de Educação da USP. “Além de não termos uma continuidade das políticas de educação, apesar da manutenção do mesmo partido no governo, não há boas condições de trabalho para o professor da rede pública”.