Jornal Estado de Minas

Polícia Civil prende temporariamente integrantes de banda e sócio da boate Kiss

ThaĆ­ne Belissa
- Foto: VANDERLEIALMEIDA / AFP
A Polícia Civil prendeu temporariamente dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira e um dos sócios da boate Kiss, em Santa Maria, onde um incêndio matou mais de 230 jovens, na madrugada deste domingo. Uma quarta pessoa também estaria sendo procurada. Os pedidos de prisão temporária de cinco dias foram decretados em razão de boatos de que eles poderiam deixar a cidade sem prestar depoimentos à polícia.
Veja fotos do enterro das vítimas

Segundo o delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigony, a polícia civil não vai divulgar os nomes dos presos, uma vez que as pessoas ainda estão sendo investigadas. Ele afirmou que já foram colhidos 20 depoimentos e a perícia já está no local pela terceira vez.

De acordo com a polícia civil, os dois integrantes da banda foram presos em Mata e o sócio da boate em Cruz Alta, em uma clínica médica. Ele foi ao local para fazer um tratamento de saúde. Assim que receber liberação dos médicos, será encaminhado para Santa Maria. A quarta pessoa, que seria o outro sócio da boate, também está fora da cidade, mas segundo a polícia, já está a caminho para se apresentar.

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A polícia civil estranhou a ausência de um circuito fechado de câmeras. Em depoimento, no entanto, um dos proprietários da boate teria dito que o sistema de câmeras foi retirado do local para conserto, há três meses. Das quatro pessoas que tiveram a prisão preventiva decretada, três já estão detidas. A quarta deve se apresentar nesta segunda-feira à tarde, informou a delegada. A polícia civil não informou, no entanto, o nome dos detidos.

Autoridades se manifestam


Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, em Santa Maria na 1ª delegacia de polícia, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, pediu que inquérito para apurar as causas e apontar os culpados pelo incêndio na boate Kiss seja exemplar e defendeu mudanças na legislação.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, informou que as Forças Armadas estão à disposição para ajudar as famílias das vítimas do incêndio na Kiss. Por meio de nota, Amorim se solidarizou "aos familiares e amigos das vítimas, entre as quais se contam militares do Exército e da Força Aérea Brasileira, além de dependentes".

A tragédia


Mais de 230 pessoas morreram após incêndio que atingiu a Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, na madrugada desse domingo. Testemunhas disseram que o fogo começou quando a banda Gurizada Fandangueira acionou um sinalizador, durante show pirotécnico. Faícas teriam atingido o teto e provocado o incêndio.

Mais de 100 pessoas ficaram feridas e foram internadas em diferentes hospitais da região de Santa Maria. Pacientes em estado mais grave precisaram ser transferidos para Porto Alegre. De acordo com os bombeiros, a maioria das vítimas morreram por asfixia, pois o fogo em contato com a espuma do teto produziu uma fumaça tóxica.


(Com agências)