De acordo com Anão, os grafiteiros convivem quase em um "socialismo", porque dividem da comida à tinta, o que tem tudo a ver com a proposta do Fórum Social Temático. Segundo o grafiteiro, a arte é uma troca com a comunidade. “Se tem uma missão é essa: embelezar os muros. O morador cede o muro e passa um dia convivendo com aquela arte. É mais do que material, é uma troca de energia”, disse.
As necessidades de comunidades de periferia estão sempre entre as preocupações dos grafiteiros ao escolherem o local para mostrar sua arte. Participando do grupo de que atua hoje na Vila Papeleiros, o grafiteiro Tru disse que existe uma busca pela atenção principalmente das crianças. “A periferia é sempre um local bom de fazer grafite, é um local que a pessoa tem dificuldade de ter acesso à cultura. Aqui a garotada vê e já quer saber como entrar para o movimento. É um forma de chegar na gurizada”, explicou.
Foi assim que o adolescente Tomas Souza, de 15 anos, foi conquistado pelos painéis e muros coloridos. Morador da vila, o rapaz ajudou os colegas a pintar os muros e diz que fez uma opção pelo grafite. “Chama a atenção a cor, a ajuda a não ir para a pixação... E todo mundo aceita melhor o grafite”, disse. Segundo ele, a arte nos muros é uma forma de se expressar sem quebrar regras. “Ajuda a expressar o que está sentindo, o que a gente sabe e até o que não sabe. Quando tenho tempo vago pego o spray e pinto”.
Os artistas devem terminar os muros da Vila Papeleiros até amanhã (27). Na segunda eles seguem para o Presídio de Osório (RS), onde também se reunirão para colorir a paisagem da penitenciária. Antes do fim do fórum, que acaba na próxima quinta (31), eles ainda vão pintar o Túnel da Conceição, em Porto Alegre.