“Vários pacientes que necessitam da operação têm também dificuldade de cicatrização nas pernas”, diz Corso. Isso porque muitos são obesos, têm má circulação e são diabéticos, o que determina um processo de cicatrização complicado. Por esse motivo, o corte tradicional leva a uma maior incidência de infecção, inchaço e dor.
O médico Fernando Moraes, cirurgião vascular do Instituto do Coração de Pernambuco (Incor - PE), já fez 22 cirurgias com a técnica. “Uma vez que não existe uma incisão longa, o risco de apresentar dor é bem menor. A mobilidade do paciente é maior após a cirurgia, pois tem menos incômodo”, diz.
De acordo com Corso, usando essa técnica, a incidência de complicações cai para um quarto em comparação com a cirurgia tradicional. O resultado de sua experiência com a técnica vai resultar em um artigo na revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV). “No Brasil, temos hoje cerca de mil pacientes que foram operados pela técnica, o que é muito pouco, menos de 2% da casuística total do País em um intervalo de dois anos. Minha impressão é de que, nos próximos 5 a 10 anos essa passe a ser a primeira técnica em aplicação”, diz.
Atualmente, o Incor tem um projeto para avaliar essa tecnologia que, para ser posta em prática, ainda tem de passar pela comissão científica da instituição. A empresa Maquet, uma das fabricantes do equipamento que permite a coleta endoscópica dos vasos, deve ser parceira do instituto no projeto. O objetivo é submeter 100 pacientes à nova tecnologia, que serão comparados a outros 100 pacientes tratados com a cirurgia tradicional.
Corso observa que enquanto a maioria das especialidades passou a adotar a cirurgia videoendoscópica há bastante tempo, a cirurgia cardiovascular tem sido uma das últimas a usar incisões menores e cirurgias por vídeo.