A Câmara Municipal de São Paulo suspendeu, na sexta-feira (07), os pagamentos à empresa contratada para fazer um memorial, orçado em R$ 560 mil, em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura durante o regime militar. Há suspeitas de irregularidades na obra que seria feita pela empresa Services Express Produções e Serviços Ltda - que teria repassado o projeto a parceiros.
Segundo a reportagem, a empresa agiu como intermediária no processo, subcontratando uma produtora para elaborar uma escultura de bronze e um troféu de resina. Já o painel feito de mosaico de pastilhas que completa o pacote foi repassado a um instituto. O projeto é de autoria do artista Elifas Andreato e a previsão era de instalar as obras na praça do lado do Palácio Anchieta, no centro.
No pregão realizado em setembro, apenas a vencedora apresentou proposta. Apesar de não ter ocorrido concorrência, os representantes aceitaram reduzir a proposta inicial, de R$ 634 mil, em 11% para fechar o negócio. Responsável pela Services, Paulo Freitas não foi achado. Quem aceitou dar entrevista foi Sergio Flores, dono da Cine Efeitos, que, na prática, produz as peças, segundo o próprio Andreato.
No primeiro contato feito por telefone, Flores confirmou que trabalha na produção das peças e faz testes para o projeto do amigo Andreato desde maio - isso quatro meses antes da realização do pregão na Câmara. Ele chegou a revelar o prazo para entrega das homenagens, assim como citou detalhes técnicos das obras.
Conselheiro do Instituto Vladimir Herzog, o jornalista Sérgio Gomes confirmou que a Services também não fará o painel da homenagem. O serviço teria sido encomendado para um instituto que cuida de crianças.
Para o professor de Direito Público e Administrativo Adilson Dallari, a subcontratação é ilegal se não for autorizada no processo de licitação. E, mesmo assim, deve ser parcial. “Não se pode transferir todo o objeto do contrato. Quem ganha licitação tem o dever de executar a obra. Se for confirmada a irregularidade, é fraude contratual.
Preço
O valor do contrato também é considerado alto por escultores consultados pela repotagem. O metro quadrado do bronze, por exemplo, vale quase R$ 8 mil e o metro quadrado de um mosaico de pastilhas, R$ 1,2 mil. Em ambos os casos, pode haver variações. O próprio autor das obras, Andreato, chegou a estimar a homenagem entre R$ 180 mil e R$ 200 mil. Depois, também recuou e disse que “o preço do contrato não é absurdo”.
Para o vereador Ítalo Cardoso (PT), primeiro-secretário da Casa e idealizador da homenagem, o uso de bronze justificaria o alto investimento. Mas a suposta subcontratação não pode ser aceita.
Na sexta-feira (07) à tarde, após ser questionado pela reportagem, ele informou que suspenderia os primeiros repasses à Services. Segundo o gabinete do petista, nos próximos dias seriam pagos de 30% a 40% do combinado. Sua assessoria também informou que não sabia das subcontratações.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo..