A preferência por um dos lados pode ser provocada por torcicolo congênito, quando a criança já nasce com uma contratura do músculo do pescoço, que não permite que ela vire a cabeça para os dois lados completamente.
Foi o que aconteceu com Felipe. "Eu percebia que ele tinha preferência por um lado, mas, até por falta de informação, deixava que ele ficasse na posição mais confortável", diz Mayra.
Quando o marido chamou a atenção para a "cabecinha torta", Mayra reclamou. Mas a pediatra confirmou a plagiocefalia. Além da questão estética, havia o risco de desenvolver visão dupla, por causa do desalinhamento da órbita, dificuldade para fechar a mandíbula e até desalinhamento da coluna.
As crianças não têm dificuldades em usar o capacete - às vezes, são os pais que precisam se acostumar. "Tem gente que faz cara feia, como se fosse excesso de proteção nossa", conta o jornalista Rodrigo Dias Vieira, de 36 anos, pai de Gabriel, de 11 meses.
Anos 90
Os casos de plagiocefalia posicional se tornaram mais comuns quando a Academia Americana de Pediatria recomendou, nos anos 1990, que os bebês fossem colocados no berço de barriga para cima para reduzir o risco de morte súbita. "A recomendação é válida, mas os pais devem colocar o filho de bruços quando ele estiver acordado e sob supervisão", diz Schreen.
Além de ficar deitada no berço, há crianças que passam muito tempo também em cadeirinhas. "Há um certo abuso desses dispositivos. Uma alternativa são os cangurus ou slings, em que a mãe carrega o bebê."