As agressões ocorreram em 2005 durante os meses em que Sílvia trabalhou como babá na casa da família, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio. Desconfiados dos hematomas no corpo de Pedro, os pais dele instalaram uma câmera escondida no alto da estante da sala, que flagrou, em oito horas de gravações, a babá batendo com a cabeça do menino no chão, sufocando-o com uma fralda e forçando-o a engolir o próprio vômito.
"Não foi por minha causa que ele (Pedro) morreu. Sou inocente. Ele sentia falta de ar e já caía da cadeira. Não bati com a cabeça dele no chão. Eu o levantei e coloquei de novo sentado. Também nunca usei o pano para sufocá-lo. Eu apenas limpava o vômito. Tenho uma filha e jamais faria isso. Sempre gostei muito dele", alegou Sílvia, nessa quinta-feira, na sede da Chefia de Polícia Civil do Rio, onde foi apresentada à imprensa antes de ser encaminhada a um presídio feminino em Bangu, na Zona Oeste da cidade.
Sílvia foi localizada em Matinhos, no litoral do Paraná, por policiais da Delegacia de Imbariê (62ª DP), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A investigação começou há três meses, após a delegacia receber uma informação sobre o possível paradeiro da babá, nascida e criada em Caxias. Ela morava numa casa simples e de difícil acesso com a filha, atualmente com 22 anos, que tem problemas renais e fazia hemodiálise no hospital municipal.
"Sílvia não foi localizada no endereço que tínhamos. Fomos ao hospital saber se ela havia recebido atendimento recentemente, e descobrimos que a filha dela sim. Por sorte, naquele dia a prefeitura estava fazendo um recadastramento dos pacientes que utilizavam o serviço de transporte, e conseguimos o endereço dela atualizado. Quando chegamos à casa, ela se identificou como Renata, mas não adiantou", explicou o delegado Ângelo Lages, que chefiou a operação.