A subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap, Juliana Araújo, explica que os dados referentes aos municípios não são totalmente confiáveis devido à deficiência de alimentação do sistema por onde a Sesap monitora a incidência da doença e que a tendência é de que na prática esses números sejam ainda mais alarmantes. "A notificação é o primeiro passo para que se possa agir contra um agravo como a dengue, pois a partir dos dados são elaboradas as ações de prevenção e controle", diz a subcoordenadora. Muitos municípios ainda não repassaram dados sobre sua situação para que a secretaria faça uma mensuração mais específica do quadro no estado e trace as devidas ações de controle.
No final de 2011, que também foi um ano epidemiológico do vírus da dengue, foi aprovada uma portaria estadual que concedeu a 35 municípios com índices mais altos de casos da doença, um incremento de 20% no orçamento para que sejam trabalhadas ações de prevenção e controle da dengue. Em contrapartida, as prefeituras apresentaram um plano de ação que foi ajustado pela Sesap para ser posto em prática em cada realidade.
O Rio Grande do Norte já tem registro da circulação dos quatro sorotipos da dengue, embora este ano todos os casos confirmados apontarem para a contaminação pelo vírus do tipo 4. De janeiro a maio de 2011, os números de notificações sobre casos de dengue no estado eram cerca de seis mil a mais do que este ano. Contudo, Juliana Araújo diz que a redução desse número não é necessariamente positiva, já que a quantidade de óbitos cresceu e o registro de casos mais graves da doença também. Ela diz ainda que a Sesap se preocupa com a alta na gravidade dos casos, tendo 400 dos pacientes registrados tido complicações no quadro e febre hemorrágica da dengue.
O estado convive com a luta contra o mosquito da dengue há mais de 15 anos e a doença é considerada problema de saúde pública em diversos países do mundo, principalmente naqueles de clima tropical, como o Brasil, mais propício para a proliferação do mosquito.