Jornal Estado de Minas

Operação recolhe usuários crack até terça-feira no Rio de Janeiro

Com apoio da Força Nacional de Segurança, que ocupa morro desde sexta-fira, 94 consumidores da droga são amparados.

Rio de Janeiro – Um dia depois da ocupação do Morro Santo Amaro pela Força Nacional de Segurança, pelo menos 94 usuários de crack, entre eles dois adolescentes, foram recolhidos por agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social na região, na Zona Sul do Rio. Durante a madrugada, mais 60 adultos e sete adolescentes foram recolhidos. Eles foram identificados pela polícia e levados para abrigos. As ações de recolhimento de usuários de crack e população de rua seguirão até terça-feira. Elas fazem parte do programa de enfrentamento do crack na comunidade, que começou na sexta-feira também no Bairro da Glória, no Largo do Machado, em Laranjeiras e no Aterro do Flamengo, além do interior da favela.
Na sexta-feira, cerca de 150 agentes da Força Nacional ocuparam o Morro Santo Amaro para a instalação na comunidade do projeto piloto que vai atender usuários de crack que se espalham pelas ruas da região. A secretária nacional de Segurança Pública (Senasp), Regina Miki, informou que a ocupação só terminará com a instalação de uma unidade de polícia pacificadora (UPP) no local. No Morro Santo Amaro vivem 1,5 mil famílias (aproximadamente 5 mil pessoas), das quais 473 recebem auxílio em programas dos governos federal (Bolsa-Família) e municipal (Família Carioca).

Dois postos do projeto Crack, é Possível Vencer, que faz parte de um convênio assinado em dezembro entre a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) com Ministério da Saúde, foram instalados na comunidade. O atendimento será estendido a toda a região. O projeto prevê que psicólogos, assistentes sociais e educadores do município trabalhem 24 horas por dia.

O convênio da prefeitura e do Ministério da Saúde envolve também ações do governo estadual. Serão criados 427 leitos e qualificados 71 (totalizando 498) no estado, em enfermarias especializadas em pacientes dependentes de álcool e drogas. Esses leitos serão destinados a internações de curta duração. Além disso, haverá 77 novas unidades de acolhimento, sendo 57 destinadas ao atendimento a adultos e 20 para crianças e adolescentes. A previsão é de um investimento total de R$ 40 milhões em toda a cidade.

Investimento federal

No programa estão previstas ainda ações de segurança pública, com operações policiais concentradas nas divisas do estado e em cracolândias, onde serão instaladas câmeras. Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a ideia é identificar e prender quadrilhas de traficantes. O Rio receberá cem câmeras, cinco bases móveis de videomonitoramento, 15 veículos e 200 profissionais de segurança pública. O total de investimento federal no sistema será de cerca de R$ 9 milhões.