"Vistoriamos todo o trecho entre a Avenida Mem de Sá e a Rua Visconde do Rio Branco para verificar o estado de conservação desses prédios. Constatamos a existência de cinco obras em pleno andamento, mas, de fato, nessa área, o prédio que estava em avançado estado de deterioração era o que desabou", disse Menezes. "Esse casarão já não tinha mais o telhado, que é a primeira peça de uma estrutura arquitetônica a ficar comprometida pelo abandono. Os cupins destroem a madeira que sustenta o telhado e este desaba", acrescentou.
O presidente do CAU-RJ defendeu a instituição de instrumentos punitivos para obrigar os proprietários a não deixarem os imóveis antigos, tombados ou não pelo patrimônio histórico, no abandono. "As iniciativas hoje existentes, de estimulo à preservação de prédios tombados por meio da isenção do IPTU estão demonstrando a sua ineficácia. Por isso, é preciso se pensar em instrumentos, como o IPTU progressivo, que, no caso dos imóveis abandonados, vai progressivamente, como o próprio nome indica, aumentando a sua alíquota, até chegar ao ponto de o proprietário perder o imóvel para a prefeitura, que, aí, poderá colocá-lo em leilão", sugeriu Menezes.
O secretário municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório, anunciou que a prefeitura vai publicar, nos próximos dias, um decreto com medidas para regulamentar os imóveis antigos da cidade. Segundo o secretário, farão parte dessas medidas "o aumento do poder de fiscalização por parte da prefeitura e de exigência de manutenção dos imóveis pelos proprietários, incluindo punições aos que não fizerem isso".
Menezes considerou o conjunto de medidas anunciado pela prefeitura "altamente positivo". Ele lembra que as edificações antigas do centro histórico do Rio, abandonadas e com sua estrutura em estado de deterioração em geral, pertencem a ordens religiosas ou são alvo de disputas judiciais por questões de herança.
Polo cultural e gastronômico, os sobrados da Rua do Lavradio abrigam lojas de móveis de época, antiquários, restaurantes, bares e casas de shows. No primeiro sábado de cada mês, é realizada no local a Feira Rio Antigo, que atrai milhares de cariocas e turistas interessados nos objetos de decoração vendidos nas lojas e em barracas ao longo da rua.