“Vamos permitir a venda de medicamentos isentos de prescrição em estabelecimentos que não são correlatos à saúde, sem farmacêuticos e o devido controle sanitário?”, diz nota da entidade.
O presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, acredita que esses estabelecimentos não têm condições de garantir o condicionamento adequado e o prazo de validade dos medicamentos.
“Temos cerca de 80 mil farmácias e drogarias no país. Imagine levar a supermercados e armazéns. É um total descontrole. Quem vai fiscalizar isso?”, disse João.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição Médica (Abimip), a aprovação do projeto foi uma surpresa.
“Não temos posição definida. Nunca fizemos debate ou estudo sobre esse tema. Fomos pegos de surpresa”, informou o diretor de relações-públicas da associação, Aurélio Saez.
Os senadores aprovaram essa medida no âmbito do Projeto de Lei de Conversão 7/2002 , de relatoria de Romero Jucá (PMDB-RR), que isenta o pagamento do Programa de Integração Social (PIS), do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para produtos destinados a pessoas com deficiência, como impressoras em braile e acessórios para cadeiras de rodas.
Para entrar em vigor, o texto precisa ser sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, que tem o poder de vetá-lo.
Ao participar de um evento em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, posicionou-se hoje contra a venda dos remédios sem prescrição médica e fora de farmácias e drogarias.
“Seremos contrários a qualquer tipo de atitude que reforce a automedicação.Não tenho opinião do que ela vai fazer. Seguimos as orientações e diretrizes da presidenta", disse o ministro.