A provocação foi o estopim. A adolescente voltou para casa imediatamente e avisou ao pai que mataria os colegas. Em depoimento, a mãe da jovem contou que, sem levar a filha a sério, o responsável se limitou a dizer que era bobagem e que ela não fizesse isso. Em seguida, o pai entrou no banho. Sozinha, ela pegou a faca, embrulhou em um jornal e colocou na mochila. Ao chegar à sala de aula, procurou o colega que a ofendeu e sentou-se ao lado dele. Ele não disse nada. Minutos depois, quando viu a oportunidade, atacou o garoto, que, ao perceber a arma e o movimento brusco da colega, defendeu-se e correu para a direção da escola. Ele foi encaminhado ao Hospital Regional de Planaltina e liberado em seguida.
Na DCA, a garota surpreendeu o delegado de plantão Virgílio Ozelami. Ela assumiu, em depoimento, que queria matar o adolescente, planejou o ato e, quando desferiu o golpe, tinha a intenção de atingir a jugular do garoto. De acordo com Ozelami, a jovem demonstrou frieza no depoimento. Já a vítima disse à polícia que outros estudantes teriam apelidado a menina e ele apenas riu do incidente, mas que ela o teria marcado por conta do episódio. “Recomendamos aos pais dela que procurem um especialista, porque brigas entre adolescentes são comuns, mas não com essa violência. Além disso, uma menina dessa idade não costuma aparentar a frieza que ela demonstrou”, alertou.
A adolescente responderá por ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. Ela poderá pegar até três anos de internação no Caje, se ficar provado que ela agrediu e tinha a intenção de matar o colega. A internação provisória pode se estender por até 45 dias. “Recomendamos aos adolescentes que não se envolvam em brincadeiras agressivas contra outros colegas. Todo mundo tem um limite e é difícil reconhecê-lo”, recomendou o plantonista.