O feirante e pescador Luís Santana Lopes, de 62 anos, trabalha na feirinha do peixe em Timbiras, no Maranhão, e exerce qualquer atividade de um sujeito normal, mas para o Estado ele é um homem morto. "Descobri há dois anos e pouco, mas de morto estava a mais tempo", conta.
Desde então, a vida de Luís só foi se complicando. Mesmo depois de alcançar a idade para aposentar-se, ele não consegue o benefício, já que está morto. O feirante não consegue sequer receber o seguro pago pelo Governo Federal para pescadores no período de reprodução dos peixes."Já perdi dois anos de seguro. São quatro meses de proibição e quando eu parto pra receber o dinheiro nessa época, está proibido! Toda vez que eu coloco o cartão, pendente, não posso receber", reclama.
DEMORA DA JUSTIÇA
Para voltar a ser vivo, com todos os direitos inerentes à essa condição, Luís está dependendo de uma decisão da Justiça, mas a espera já se arrasta há dois anos. "Estou com a vida completamente arrasada e o motivo é esse de estar morto e não ter direito à nada", diz.
A juíza de Direito, Daniela de Jesus Bomfim Ferreira, que recebeu o caso por meio de uma ação explica que a sentença a favor de Luís Lopes foi dada no mesmo dia da audiência, ocorrida em setembro do ano passado, mas as providências seguintes serão tomadas a partir de agora.
"A Justiça está adotando as providências no sentido de comunicar os respectivos órgãos no caso. Já determinou a anulação ao cartório, está informando ao INSS para o cancelamento e para que ele possa requerer o benefício da aposentadoria", explicou a magistrada.
A juíza informou, ainda, que expediu ofício para a polícia civil de Coroatá, onde a certidão de óbito foi lavrada no cartório de registro civil do 3° Ofício, a fim de que instaure inquérito policial para investigar o caso e identificar os culpados pela fraude na forma da lei.