Jornal Estado de Minas

Justiça Militar decreta prisão de 11 líderes da greve da polícia no Rio

O Comando da Polícia Militar garantiu a normalidade dos serviços em todo o estado

Thaíne Belissa Agência Estado
A Justiça Militar expediu, nesta sexta-feira, 11 mandados de prisão contra os principais líderes do movimento grevista da polícia e dos Bombeiros no Rio de Janeiro, segundo a Polícia Militar do estado, mas os nomes dos procurados ainda não foram divulgados.
Já aconteceram cerca de 50 prisões de PMs que se recusaram a sair do quartel para realizar o patrulhamento ostensivo. Entre os líderes presos estão o cabo João Carlos Gurgel - Lotado no QG da PM - e o major da reserva Hélio Oliveira. De acordo com policiais, o coronel da reserva Paulo Ricardo Paúl, que possui um blog com críticas ao governo atual, também teria sido preso.

"Hoje, as vítimas são os policiais militares. Amanhã, pode ser a imprensa. Não há processo ou inquérito. É um absurdo colocar policiais e bombeiros em Bangu 1", disse Gurgel antes de ser preso. A exemplo do cabo Benevenuto Daciolo, preso anteontem, os líderes da greve serão transferidos para o presídio de Bangu 1.

De acordo com informações dadas pelo porta-voz da PM, coronel Frederico Caldas, durante entrevista à Globonews, a medida imediata serve para frisar que a polícia não vai aceitar "ações contrárias à disciplina" e nem "tolerar que policiais cruzem os braços". O coronel explica que há três semanas o comando da polícia está monitorando a movimentação de greve e mapeamento os principais líderes.

"Não vamos permitir que o sentimento de insegurança seja difundido na população do Rio", garantiu. O coronel chamou os líderes grevistas de "irresponsáveis" e "baderneiros" e descartou a necessidade de reforço por parte das Forças Armadas no Rio de Janeiro.

Em nota, o Comando da Polícia Militar garantiu a normalidade dos serviços em todo o estado. Segundo o coronel Frederico Caldas, houve "casos isolados" no interior do estado, onde policiais abandonaram o trabalho, mas a situação já foi resolvida. A assessoria da Polícia Civil também informou que não há registros de paralisação dos serviços ou falta de atendimento nas delegacias do Rio.

Os grevistas querem a liberdade do cabo Benevenuto Daciolo, preso, na última quarta-feira, acusado de crime militar, e piso salarial de R$ 3.500, além de benefícios como vale-transporte e tíquete-refeição.

Nessa quinta-feira, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou aumento de 39% nos salários das polícias Militar e Civil, do Corpo de Bombeiros e de agentes penitenciários até fevereiro de 2013, mas o texto final pode sofrer alterações.

Com informações da Agência Brasil