O fator geográfico se impôs de tal maneira que impediu até que as frentes pró e contra a separação fizessem campanha em todo o Estado. Nas regiões próximas a Santarém, candidata a capital de Tapajós, e a Marabá, principal município de Carajás, nem sequer foram abertos comitês do grupo contrário à divisão. Em Belém, atos isolados da campanha separatista foram promovidos apenas por imigrantes do interior, simpáticos à causa por vínculos históricos e familiares.
O "muro" invisível não impediu que as mensagens de uma frente e de outra chegassem a todas as cidades pelo rádio e pela televisão - houve um mês de propaganda em rede estadual, em dois blocos diários, além de inserções curtas distribuídas ao longo da programação das emissoras. Mas cada lado ignorou os argumentos do outro.
Os separatistas, cuja campanha foi comandada pelo marqueteiro Duda Mendonça, fizeram jingles e vídeos dirigidos aos "irmãos de Belém" com apelos para que os ajudassem a criar novos Estados, com o argumento de que isso levaria o desenvolvimento para o interior. Já os defensores da manutenção do território usaram a televisão para espalhar a ideia de que, com a divisão, todos perderiam - principalmente o Pará remanescente, que ficaria sem os recursos minerais do sudeste e as florestas do sudoeste.