Estima-se que no depósito de Toritama havia 23 toneladas do lixo hospitalar — aproximadamente a mesma capacidade de cada um dos contêineres apreendidos. “O local tinha uns 400 metros quadrados, bem maior que a sede da empresa, que deveria ter 250 metros quadrados”, comenta Brito. Nos documentos da importação realizada pela empresa Na Intimidade, o destino declarado era apenas o endereço da unidade de Santa Cruz do Capibaribe. “No entanto, em outros arquivos da Receita Federal, foi identificado que a mesma empresa tinha uma filial em Toritama e decidimos checar”, detalha o gerente geral.
Os dois pontos foram interditados e amostras dos tecidos foram coletadas para serem encaminhadas ao Instituto de Criminalística (IC). “Queremos saber qual é o nível de contaminação dessas peças”, diz Jaime Brito. O dono da Na Intimidade ainda não foi localizado. “O advogado da empresa diz que ele está em viagem por Maceió”, conta.
Mais 14 contêineres, possivelmente carregados de lixo hospitalar, deverão chegar ao Porto de Suape. O alerta foi dado pela transportadora marítima Hamburg Süd, porque foram exportados pela mesma empresa que enviou o material interceptado esta semana. Os contêineres já saíram do Porto de Charleston, na Carolina do Sul, mas, como o trânsito ainda não foi confirmado pelo sistema da Receita Federal, não se sabe quando chegará ao Porto de Suape. Mesmo assim, o órgão já está monitorando as cargas.
COM DEFEITO O primeiro contêiner com o lixo hospitalar proveniente dos Estados Unidos foi descoberto pela Receita Federal na terça-feira. Nos documentos da importação, a carga era descrita como “tecido de algodão com defeito”. Um dia depois, um novo contêiner, com carga semelhante, envolvendo as mesmas empresas na exportação e na importação, foi identificado. O dois somam um volume de 46,6 toneladas que, além dos lençóis, tinham toalhas de banho, cateteres, luvas e seringas. A carga foi inspecionada e lacrada pela Anvisa.