Jornal Estado de Minas

MPE constata que mais de 50% dos jovens abrigados no Rio voltaram para família

A volta para casa contribuiu para a redução do número de jovens nos abrigos, que diminuiu de 3,7 mil para 2,6 mil

AgĂȘncia Brasil
Mais da metade das crianças que deixaram de viver recolhidas em abrigos no estado, entre 2008 e 2011, voltaram a viver com suas famílias. No período, o número de jovens abrigados também caiu em 33%. Os dados são do 6º Censo da População Infantojuvenil Acolhida no Rio de Janeiro, divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério Público Estadual (MPE).
O levantamento mostra que voltaram para casa 53% dos jovens que passaram pelos abrigos, sendo que mais 19,1% foram adotados por novas famílias, conforme sugere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no caso de não ser possível a reintegração.

Para a promotora do 4º Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e da Juventude Gabriela Brandt, a queda reflete a integração da rede de proteção à criança e ao adolescente, que envolve ações de várias pastas como saúde, educação e assistência social. Essa rede, de acordo com a promotora, tem atendido "mais rapidamente o direito da criança à convivência familiar".

O censo também mostra que o tempo do abrigamento está diminuindo. A maioria (47,4%) dos jovens está nas instituições há menos de seis meses. Também há os que têm uma estadia prolongada nos abrigos: 5% vivem em uma dessas instituições há mais de dez anos e 7%, há mais de três anos. Com estadia entre seis meses e dois anos, estão 36% dos jovens. "Os acolhimentos tendem a não ser tão extensos como foram no passado e isso é um avanço", rebateu a promotora.

Para enfrentar os longos períodos em abrigos, o Ministério Público Estadual defende que a sociedade "dispa-se de preconceito" e adote crianças negras e também as mais velhas, com mais de três anos. "O público-alvo para a adoção são meninas brancas até essa idade. No Rio, temos, nesse perfil, cinco crianças e mais 250 que estão aptas à adoção", disse a promotora.

Outro item abordado pelo levantamento é a origem das crianças abrigadas. Segundo o censo, a maioria dos jovens passou por negligência ou abandono (39,31%) dos pais ou responsáveis ou foram vítimas de abusos físicos ou psicológicos (7,2%). Mais da metade (50,94%) não recebem visitas, o que exige um cuidadoso trabalho de aproximação entre as famílias.

Durante a pesquisa, o MPE identificou 240 abrigos públicos ou privados no estado do Rio, sendo oito específicos para o tratamento de crianças e adolescentes usuárias de drogas ou bebidas alcoólicas. "A tendência dessas casas é aumentar porque percebemos que crianças precisam de tratamento especializado", destacou Gabriela Brandt.