A comissão encontrou ruas movimentadas, comércio aberto, caminhões de entrega entrando e saindo das favelas e idosos jogando cartas ao ar livre. As revistas de bolsas e automóveis continuavam nesta manhã nos principais acessos das comunidades do complexo. Apesar do clima de tranquilidade, moradores abordados pela Agência Brasil recusavam-se a falar a respeito da situação na região. Apenas uma senhora que não se identificou criticou a falta de investimentos em infraestrutura nos morros, o que favorece a presença do tráfico na região.
“Enquanto faltar gás, luz, faltar o básico aqui, o tráfico vai aproveitar e ganhar dinheiro com o povo”, disse a moradora, indignada, sem interromper seu trajeto enquanto falava.
Zaqueu Teixeira defendeu que a antecipação das instalações de unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na Penha é fundamental, pois a pacificação só será consolidada com a presença do policiamento comunitário. A previsão, segundo a Secretaria de Segurança do Rio, é que em março de 2012 seja implantada a primeira unidade na região. O planejamento, até então, era para junho.
O presidente da comissão informou que a cada quinze dias os deputados vão visitar uma comunidade pacificada para verificar a atuação da polícia e dos órgãos públicos presentes. “Vamos tentar ver como estão os serviços públicos, se os equipamentos sociais estão entrando efetivamente nessas comunidades. E tentaremos verificar falhas e cobrar das autoridades, para tentar consolidar essa política de segurança.”
A primeira comunidade a ser visitada pela comissão será a Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, a primeira favela pacificada na cidade, em 2008. No total, 17 comunidades foram pacificadas até agora no Rio.