A Cnen, sediada no Rio de Janeiro, é um órgão subordinado ao MCT. Odair estará nesta segunda-feira em Brasília, numa reunião reservada com Mercadante. Oficialmente, o encontro já estava programado, para tratar de assuntos relacionados ao orçamento da comissão. O ministro discutirá no encontro a demissão do atual presidente da Cnen. Uma nota sobre o desligamento de Odair, elaborada em conjunto por MCT e Cnen, seria divulgada ontem, segundo o secretário executivo do ministério. A nota trataria da demissão e das circunstâncias do ato. O texto reforçaria que a saída do presidente da Cnen não tem qualquer relação com a inexistência de licença definitiva para Angra 2 e com a dependência brasileira da importação de urânio. Até as 20h30 de ontem, uma hora depois do prometido por Luiz Antonio, a nota não havia sido divulgada.
SUBSTITUIÇÃO
Por meio da assessoria de imprensa, no fim da tarde, Odair informou que "continua" presidente da Cnen, mas que "o cargo é do ministro da Ciência e Tecnologia". Uma nota foi divulgada horas depois, em que ele sustenta já ter pedido demissão nos primeiros dias do governo de Dilma Rousseff. "O presidente da Cnen já havia solicitado sua substituição ao ministro, que, em função do acidente do Japão e do trabalho desempenhado, pediu que permanecesse por hora no cargo", diz a nota.
"A apresentação da carta de demissão é natural nesse momento de transição de governo. Odair deu liberdade para Mercadante mudar sua equipe", disse ao Correio o secretário executivo do MCT, Luiz Antonio Elias. "As mudanças ficaram para o mês de março, pois só agora começam a sair as nomeações." Luiz Antonio negou que os diretores ligados a Odair serão demitidos hoje. Segundo ele, a licença definitiva para Angra 2 tem "seu trâmite normal". A questão da importação de urânio, conforme o secretário, seria tratada na nota do MCT, que não foi divulgada até o fechamento desta edição.