O Estado de Minas completa na sexta-feira oito décadas. Para marcar a data, serão realizados eventos culturais, reportagens especiais, exposições, shows e concursos, que continuarão ao longo do ano. Colunistas que fazem parte desta história falam da importância do jornal, incorporado ao hábito dos mineiros, e dão os parabéns pela trajetória de sucesso
Belo Horizonte era uma senhorita moderna e avançada quando começou a virar a cabeça para o Estado de Minas , que, jovem e orgulhoso da própria proeza, posava de pioneiro e desbravador. Era muita ousadia para uma moça acompanhar o dia-a-dia da política, as urgências da economia e a paixão dos esportes, além de moda, costumes, sociedade e artes. Sonsa, a senhorita erguia o nariz e ignorava o diz-que-diz por trás das venezianas: e não tirava os olhos do EM! Informava-se, aprendia, atualizava-se em todos os assuntos, cumprindo sua vocação, mais ambiciosa que a do poeta, de ser moderna e eterna a um só tempo.
Vendo-a crescer e expandir os horizontes para além do belo, o EM tratou de atender as novas exigências, responder às expectativas e até de compartilhar sonhos com ela. Houve ciúmes: Belo Horizonte o acusou de infiel, por seduzir alterosas ao circular pelo estado inteiro, enquanto ela, arejada e encantadora, não podia se afastar do Curral del-Rei. Ele a consolou com afagos, lembrando que, pela sua natureza de pioneiro e desbravador, não poderia ser exclusivo, por isso não se casara. E sussurra-lhe ao ouvido que ela é a sua capital! Ela entende; também sabia o que é pertencer a muitos.
Exercício de responsabilidade
Na primeira conversa que tive com o diretor de Redação, Josemar Gimenez, em que surgiu a possibilidade de escrever uma coluna para o EM, me senti muito lisonjeado. Tinha já colaborado esporadicamente com algumas revistas, mas o convite para trabalhar no mais importante jornal de minha cidade e do meu estado me deixou orgulhoso. É um desafio e um exercício de responsabilidade, pois é uma função que enfrento com absoluta liberdade. Sempre tive o apoio e o incentivo dos profissionais da empresa. Muita gente olha os jornais com suspeição, como se eles quisessem fazer mais que seu trabalho jornalístico, como se estivessem sempre a serviço de algum desígnio oculto, um interesse, um projeto político. Nunca alguém no EM sugeriu o tema de uma coluna, o tom que seria apropriado para tratar de um assunto, um personagem que deveria ser discutido ou não.
Orgulho e prazer
O EM faz parte da nossa vida. Quando comecei a jogar, por volta dos 16 anos, a seção de Esportes me despertava o interesse. Quando via o meu nome no jornal, sentia orgulho e prazer. Depois, passou a ser uma obrigação profissional. Mas sempre gostei do caderno de Cultura. Depois, comecei a acompanhar também Economia, Política, Internacional... Enfim, todas as seções. Nesses 61 anos, só vivi um fora de BH, quando morei no Rio e jogava no Vasco.
Satisfação pessoal
No jornalismo, convivemos com as matérias pedidas “para ontem”, justamente na hora em que o profissional acabou de acender seu charutinho. É, portanto, de charuto em riste, que lhes dou este depoimento sobre a satisfação de escrever no EM. Minha satisfação de estar no jornal é dividida em três partes: faço o que gosto; sou muito lido; ganho bem (que ninguém nos ouça).
Confúcio disse que a grande vantagem de se fazer o que gosta é que a gente nunca precisa trabalhar na vida. Sou muito lido, não porque tenha mérito literário ou jornalístico, mas porque o EM tem centenas de milhares de leitores. A terceira parte fica entre mim e o Imposto de Renda, ou entre o IR e mim, pegadinha gramatical que derruba muita gente boa. Eduardo Almeida Reis, colunista de Gerais e Esportes
Parte da família
EM era uma das quatro coisas à mesa de toda a minha infância e adolescência em Belo Horizonte: café, leite, pão e o jornal. Neste, as crônicas de meu pai, Antônio Carlos Vieira Christo, foram publicadas durante décadas. Agora, as minhas. Portanto, o EM faz parte da família e expressa, como nenhuma outra publicação, a mineiridade. Jovem aos 80 anos, tenho certeza de que é um jornal de futuro, pautado por sua independência, equilíbrio e fidelidade aos fatos na informação. Frei Betto, colunista de Cultura
Síntese da alma mineira
Os 80 anos do EM, como meus oito de colaboração diária, remetem a visões que se foram, que se fazem presentes e que virão.
Pelas páginas do jornal
Falo de minha experiência pessoal, que pode ser a da maioria dos mineiros.
Referência nacional
Comecei publicando poemas no EM, creio que em 1958. Portanto, é namoro antigo. Colaborei de diversas maneiras e fui até repórter policial naquela época. Vi o jornal ir se metamorfoseando, apurando sua qualidade técnica. Escrever aqui é conversar, no típico estilo mineiro, com leitores dos mais afastados recantos do estado. Por aqui passaram gerações de jornalistas. Durante todo esse tempo, o jornal sempre se manteve na liderança da imprensa em Minas e é ponto de referência nacional. Affonso Romano de Sant’anna, colunista de Cultura
Comunhão de valores
Escrever no EM representa participar dos valores humanísticos do jornal, dedicado à população de Minas e que patrocina os anseios de qualidade de vida, paz e felicidade. Sinto imensa alegria e gratidão em poder comungar, de maneira pública, com a luta do jornal em favor da ética e dos valores morais e humanitários. Sinto orgulho em participar de um corpo seleto de excelentes profissionais da imprensa, com os quais aprendo diariamente. Com isso, realizo um sonho acalentado durante anos de poder publicar meus conceitos e crenças no campo emocional, das relações entre as pessoas, particularmente no âmbito da família e da sociedade. No EM encontrei um espaço para navegar nas águas da autonomia, da inovação e da coragem. Antônio Roberto, colunista do Bem Viver
A história de cada um
Aniversário de 80 anos já não é pra muitos. E comemorá-lo com fôlego e alegria é para pouquíssimos. O EM tem sido companheiro dos leitores há tanto tempo que é como uma casa aconchegante. Cada pessoa da família tem o seu cômodo preferido, agarrando primeiro o caderno que mais gosta de ler. Há capítulos emocionantes, outros preocupantes, alguns divertidos e uns às vezes sérios demais. Mas, pelas páginas do jornal, a gente vê nossa própria história sendo contada. Que ela seja ainda mais longa! Fernanda Takai, colunista de Cultura.