Um vídeo feito em um supermercado na Argentina foi compartilhado mais de 2,5 mil vezes nas redes sociais desde pelo menos o último 25 de junho com a alegação de que o país impôs um racionamento de carne de até três quilos por pessoa. Entretanto, o governo de Alberto Fernández não restringiu a quantidade de consumo interno, mas suspendeu em maio as exportações do alimento na tentativa de conter um forte aumento dos preços.
“Argentina agora começa racionamento de carne. 3 kg/pessoa!”, diz uma das publicações compartilhadas no Twitter (1, 2), no Facebook (1, 2) e no Instagram. O conteúdo também circulou em espanhol (1, 2, 3).
Apesar da alegação indicar que um racionamento de carne começou “agora” na Argentina, o vídeo viralizado circula pelo menos desde o dia 18 de fevereiro de 2021 em espanhol.
No entanto, o governo de Fernández não tomou qualquer medida com o objetivo de restringir o consumo de carne da população do país.
Uma consulta ao site do governo argentino pela palavra “carnes” levou a 218 resultados, mas nenhum deles se refere a uma suposta restrição da quantidade do alimento para o consumo interno.
Uma busca no Google pelas palavras-chave, em espanhol, “carnes”, “restricción” e “racionamiento” também não levou a qualquer notícia sobre uma determinação do governo argentino nesse sentido.
Medidas do governo argentino
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Saques de aves e porcos não foram gravados na Argentina, mas durante protestos na ColômbiaChecamos: Argentina e Venezuela pagam auxílio emergencial e Cuba cobre salários durante a pandemiaChecamos: Argentina, a desinformação de um vídeo viral sobre a pandemiaEm fevereiro último, mesmo mês em que o vídeo começou a circular nas redes, o Ministério do Desenvolvimento Produtivo realizou operações de fiscalização do cumprimento do acordo, nas quais percorreram supermercados de todo o país. Na ocasião foi constatado que alguns estabelecimentos na província de La Pampa limitaram a compra de carne a três quilos e meio por consumidor. Ou seja, essa restrição de consumo não foi imposta pelo governo, mas, sim, pelos vendedores locais.
Em abril deste ano, o preço da carne teve alta de 65,3% em comparação com 2020, segundo o Instituto da Promoção da Carne de Vaca Argentina (IPVCA). Essa disparada reflete um aumento generalizado da inflação, que atingiu 21,5% entre janeiro e maio de 2021, e a queda na produção do alimento.
Em resposta a essa alta de preços combinada com o crescimento da pobreza e da indigência, o governo argentino anunciou no dia 18 de maio a suspensão das exportações de carne bovina do país pelo prazo de 30 dias. Em protesto à medida, os produtores argentinos decidiram interromper a comercialização de seus produtos por uma semana.
A Argentina é quarta maior produtora mundial de carne bovina, atrás somente de Brasil, Austrália e Índia.