A medida decretada pelo presidente Guillermo Lasso, que permite o patrulhamento de militares nas ruas do país afetado pela violência ligada ao narcotráfico, busca garantir o desenvolvimento da votação, cuja data foi mantida.
Candidato dos movimentos de centro Construye e Gente Buena, que havia denunciado ameaças contra ele e sua equipe de campanha na semana passada, Villavicencio morreu ao ser atingido por tiros quando deixava um centro poliesportivo na zona norte da capital após um comício.
Lasso atribuiu o ataque a membros do "crime organizado" e advertiu que os responsáveis receberão "todo o peso da lei".
"Este crime não ficará impune", garantiu.
Jornalista, Villavicencio era um dos oito candidatos à presidência nas eleições gerais antecipadas no Equador. Por décadas, o país foi um oásis de paz na América do Sul, mas isso mudou há alguns anos, devido a ligações com cartéis mexicanos e colombianos.
"A data das eleições previstas para 20 de agosto está inalterada", afirmou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Diana Atamaint.
Autoridades de vários órgãos estatais se reuniram em caráter de urgência na sede do governo após o atentado contra Villavicencio, que deixou nove feridos (incluindo uma candidata ao Parlamento e dois policiais). Um suposto criminoso morreu em uma troca de tiros com seguranças, e seis pessoas foram detidas, informou o Ministério Público.
- Luto nacional -
Para garantir a celebração das eleições, o presidente declarou estado de emergência por 60 dias em todo o país. Também declarou três dias de luto nacional "para honrar a memória de um patriota".
"Este é um crime político que tem um caráter terrorista, e não duvidamos de que o assassinato seja uma tentativa de sabotar o processo eleitoral", afirmou Lasso.
Depois de um massacre em uma penitenciária provocado por confrontos entre detentos com ligações com o narcotráfico e do assassinato de um prefeito durante a visita a uma obra, o chefe de Estado decretou estado de exceção em localidades com altos índices de violência do país.
O médico Carlos Figueroa, amigo do candidato assassinado e que estava com ele no momento do atentado, relatou à imprensa que os criminosos deram quase 30 tiros.
"Ele foi vítima de uma emboscada do lado de fora do centro poliesportivo", disse. "Algumas pessoas até acreditaram que fossem fogos de artifício".
O jornal El Universo, o principal do país, afirmou que Villavicencio foi morto "ao estilo de um assassinato de aluguel, com três tiros na cabeça". A polícia detonou um artefato explosivo encontrado no local do atentado.
Em um vídeo que circula na Internet, homens vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis se dizem integrantes da gangue Los Lobos e assumem a autoria do crime sem mencionar Villavicencio. Sua origem não pôde ser verificada pela AFP. Especialistas em segurança acreditam que possa ser uma tentativa de manipular o crime.
Villavicencio já havia alertado que vinha sendo alvo de ameaças da maior organização criminosa do Equador, Los Choneros, cujo líder está preso.
A taxa anual de homicídios no país quase dobrou em 2022 para 25 a cada 100.000 habitantes. Além disso, o país registrou vários massacres em penitenciárias que provocaram as mortes de mais 43 detentos desde 2021.
- Um crime "selvagem" -
Villavicencio, ex-membro da Assembleia Nacional dissolvida em maio por Lasso para permitir as eleições antecipadas, aparecia em segundo lugar nas intenções de voto com 13,2%, atrás da advogada Luisa González (26,6%), a única mulher na disputa e candidata do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), de acordo com a mais recente pesquisa da Cedatos.
Estados Unidos, União Europeia, ONU e a missão de observadores da OEA condenaram o crime.
É um "ato flagrante de violência e ataque à democracia equatoriana", disse o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan.
"É um atentado contra as instituições e a democracia do Equador (...) todos os candidatos às eleições devem se beneficiar de rigorosas medidas de proteção para garantir um processo eleitoral livre e democrático", declarou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.
Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil lamentou a morte de Villavicencio e pediu que os responsáveis pelo crime sejam punidos.
"O governo brasileiro tomou conhecimento, com profunda consternação, do assassinato (...) de Fernando Villavicencio, candidato às eleições presidenciais no Equador", escreveu o Itamaraty.
"Ao manifestar a confiança de que os responsáveis por esse deplorável ato serão identificados e levados à justiça, o governo brasileiro transmite suas sentidas condolências à família do candidato presidencial e ao governo e povo equatorianos", acrescentou.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, também condenou o "terrível assassinato", pedindo uma "investigação transparente" e a responsabilização dos culpados.
González e outros candidatos à presidência, como Yaku Pérez (líder indígena de esquerda, terceiro nas pesquisas com 12,5%), Otto Sonnenholzner (exv-vice-presidente de direita, quarto com 7,5%) anunciaram a suspensão de suas campanhas e condenaram o crime.
Como jornalista, Villavicencio desvendou um esquema de corrupção que afetou Correa, que vive na Bélgica desde 2017 e foi condenado à revelia a oito anos de prisão. Quando foi presidente da comissão legislativa de Fiscalização, Villavicencio continuou denunciando casos de corrupção.
Um candidato a deputado também foi morto durante esta campanha. Antes das eleições locais, de fevereiro, dois candidatos a prefeituras foram assassinados.
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