Mas Santiago Peña e Efraín Alegre têm algo em comum: eles são contrários ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
- A terceira tentativa de Alegre -
O candidato opositor Efraín Alegre, um advogado de 60 anos, começou muito jovem na militância política contra a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-89), uma das mais longas da América Latina.
Líder do Partido Liberal, parlamentar durante 15 anos, ex-ministro de Obras Públicas durante o governo do esquerdista Fernando Lugo (2008-12), Alegre disputa a Presidência pela terceira vez.
Se vencer, sugeriu que vai analisar as relações entre o Paraguai e Taiwan, que na sua opinião "significam a perda de um dos maiores mercados, que é a China".
Em 2013, ele foi derrotado pelo rico empresário do setor do tabaco Horacio Cartes, padrinho político de Peña, seu atual adversário, e hoje sob sanções dos Estados Unidos por "corrupção, inclusive o pagamento generalizado de propinas a funcionários do governo e legisladores" durante e após seu mandato.
Em 2018, foi derrotado por Mario Abdo Benítez por 3,8%. "Não pudemos vencer as eleições passadas, embora não tenhamos perdido", disse esta semana em entrevista à AFP.
Além disso, afirma que enfrenta o "modelo colapsado" do Partido Colorado. "É o modelo de Horacio Cartes com seu secretário, Santiago Peña, o modelo que é apontado como significativamente corrupto, vinculado ao crime organizado transnacional, à lavagem de dinheiro", afirmou.
Alegre foi detido por 18 dias em 2021 por suposta falsificação de contas do Partido Liberal, acusações que atribuiu a uma "máfia político-judicial".
Ele promete lutar contra a corrupção. "A corrupção rouba de nós seis milhões de dólares por dia. Isso significa mais de 2 bilhões de dólares por ano. Não há condições de exigir do setor privado quando o setor público rouba", diz.
Com base em uma grande riqueza hidrelétrica, com as usinas de Itaipu e Yacyretá (em conjunto com Brasil e Argentina sobre o caudaloso rio Paraná), propõe reduzir as tarifas de energia para incentivar as pequenas e médias empresas e gerar emprego.
Nascido no departamento (estado) de Misiones (sudeste), é o oitavo de 12 irmãos. Tem quatro filhos e é casado com Mirian Irún há 31 anos.
E não quer nem ouvir falar em propostas para legalizar o aborto ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Sou contra o aborto. Todos estes temas estão solucionados na Constituição, estão solucionados na lei, não são tema de debate", indigna-se.
- A tranquilidade de Peña -
Santiago Peña, de 44 anos, é considerado um tecnocrata de pouca experiência política. Estudou na Universidade Columbia, em Nova York, e foi ministro da Economia durante o governo Cartes.
Sua única experiência eleitoral foi em 2017, quando perdeu as primárias do Partido Colorado para Mario Abdo.
Defende as relações do Paraguai com Taiwan e tem sido criticado por sua visão de que o ditador Alfredo Stroessner levou "estabilidade" ao Paraguai, apesar de grupos de direitos humanos atribuírem ao regime entre 1.000 e 3.000 mortos e desaparecidos.
Ele diz querer criar 500.000 empregos, mas não explicou como.
Para atacá-lo, seus adversários o chamam de "o secretário de Cartes".
"Sinto-me muito tranquilo, com muita paz em saber que fiz tudo o humanamente possível", disse à AFP.
Sabe, além, que conta com uma máquina azeitada. "O Partido Colorado é de longe a maior aglutinação política do Paraguai: 55% de todos os eleitores nacionais são filiados ao partido", destacou.
De família liberal, Peña é o caçula de três irmãos. É casado com Leticia Ocampo, com quem tem dois filhos, o primeiro deles nascido quando eram adolescentes.
"Fui pai aos 17 anos. Foi um momento difícil na vida. Não foi planejado, mas me levou a construir sobre princípios muito sólidos do compromisso, da responsabilidade, da honestidade, da integridade, de saber que tem gente que depende de nós. E sem perceber, comecei aos 17 anos a desenvolver uma vocação de serviço", assegurou.
Ele rejeita a legalização do aborto porque parece "o mais fácil, um atalho". E se diz decidido a defender a família "em sua composição tradicional: mamãe, papai e filhos".