Mais de 40 migrantes, incluindo um bebê de poucos meses, morreram em um naufrágio neste domingo (26/2) na costa da Itália, perto da cidade de Crotone, na Calábria (sul), poucos dias após a aprovação de uma polêmica lei sobre o resgate de migrantes no mar.
"Até o momento, 80 pessoas foram resgatadas, algumas conseguiram chegar à costa após o naufrágio, e 43 corpos foram encontrados", informa um comunicado divulgado pela Guarda Costeira.
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Irã liberta espanhola detida desde o fim de 2022Nigéria apura os votos após eleição presidencial acirrada'Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo' vence o prêmio do Sindicato de ProdutoresDe acordo com as equipes de resgate, a embarcação transportava mais de 120 pessoas e bateu contra algumas rochas a alguns metros da costa. O corpo de bombeiros afirmou que mais de 200 pessoas estavam a bordo.
Nas imagens divulgadas pela polícia italiana é possível observar pedaços de madeira espalhados na praia, para onde se dirigiram as equipes de emergência, enquanto os resgatados aguardavam a transferência para um centro de acolhimento.
A primeira-ministra Giorgia Meloni, líder do partido 'Fratelli d'Italia' (FDI, Irmãos da Itália, extrema-direita), expressou "profunda dor" em um comunicado e afirmou que é "criminoso enviar ao mar uma embarcação de apenas 20 metros com 200 pessoas a bordo e com uma previsão do tempo ruim".
"O governo está comprometido a impedir as saídas e este tipo de tragédia. E continuará a fazer isto ao exigir, antes de qualquer coisa, uma colaboração maior dos Estados de saída e de origem", completou.
O naufrágio aconteceu poucos dias após a aprovação no Parlamento italiano de novas e polêmicas regras para o resgate de migrantes, apoiadas pelo governo dominado pela extrema-direita.
"Imigração clandestina"
Meloni chegou ao poder em outubro com uma coalizão que prometeu a redução da entrada de migrantes ao país.
A nova lei obriga os navios humanitários a fazer apenas um resgate por saída ao mar, o que, segundo os críticos da medida, aumenta o risco de mortes no Mediterrâneo central, área considerada a travessia mais perigosa do mundo para os migrantes.
Para o ministro italiano do Interior, Matteo Piantedosi, esta "tragédia demonstra como é absolutamente necessário lutar de maneira firme contra as redes de imigração clandestina".
A situação geográfica da Itália faz do país um destino preferencial para os demandantes de asilo que viajam do norte da África para a Europa.
Roma critica há vários anos o número de chegadas a seu território. De acordo com o ministério do Interior, quase 14 mil migrantes entraram na Itália desde o início do ano, contra 5,2 mil no mesmo período no ano passado e 4,2 mil em 2021.
Embora as ONGs resgatem apenas um pequeno percentual deles - a maioria é interceptada pela Guarda Costeira ou por navios da Marinha -, o governo as acusa de estimular as viagens e e de encorajar os traficantes com suas operações.
"As pessoas no mar devem ser resgatadas independente do custo, sem penalizar quem as ajuda", afirmou no Twitter Carlo Calenda, ex-ministro e líder do partido centrista Azione.
"É inaceitável do ponto de vista humano e incompreensível, por que estamos aqui testemunhando tragédias que podem ser evitadas?", reagiu a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Twitter.