As primeiras seções de votação começavam a fechar na cidade de Punta Arenas, no extremo sul do Chile, após um dia transcorrido "com absoluta normalidade", segundo o diretor-geral da polícia, Ricardo Yañez.
O plebiscito, para o qual mais de 15 milhões de eleitores estavam convocados na primeira votação obrigatória em uma década, contou com uma alta taxa de participação em todo o país.
No exterior, onde há cerca de 100 mil chilenos registrados e o voto é voluntário, os primeiros resultados mostraram uma pequena diferença entre as opções de apoio e rejeição à proposta constitucional, segundo a mídia chilena com base em dados consulares.
O presidente chileno, Gabriel Boric, assegurou que, seja qual for o resultado do plebiscito deste domingo, ele pedirá "unidade nacional" em um exercício com "mais democracia" para superar as fraturas sociais, disse ele ao votar sob aplausos de simpatizantes em sua cidade natal Punta Arenas, extremo astral do Chile, em frente ao Estreito de Magalhães.
A ex-presidente Michelle Bachelet, muito popular neste país, disse que se a opção Rechazo vencer, como antecipam as pesquisas, "as demandas dos chilenos não serão atendidas" e um novo processo deve ser convocado. A ex-presidente votou em Genebra, na Suíça, onde acaba de deixar o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
A opção "Rechazo" à nova Constituição lidera todas as pesquisas há mais de um mês, mas a campanha "Apruebo" mobilizou multidões, especialmente em Santiago, alimentando a ilusão de vitória.
Os atos de encerramento da campanha na quinta-feira na capital deste país de quase 20 milhões de habitantes, geraram duas fotos muito diferentes que contrastam com as previsões.
A festa de rua "Apruebo" reuniu entre 250.000 e 500.000 pessoas, segundo os organizadores, enquanto a cerimônia de encerramento "Rechazo" consistiu em um evento de não mais de 400 pessoas em um anfiteatro em Santiago.
"O que se vê nas pesquisas é confirmado, que a vantagem do 'Apruebo' em Santiago será muito importante sobre o 'Rechazo'", diz a socióloga Marta Lagos, fundadora do instituto Mori.
"Mas isso não significa que 'Apruebo' vai ganhar, tem uma grande desvantagem no sul e no norte do país", áreas que sofrem com a violência e a insegurança, acrescenta Lagos.
Enquanto no sul há conflitos por terras reivindicadas por grupos indígenas mapuches, no norte há um fluxo incessante de imigrantes sem documentos que vivem nas ruas e que tem gerado o surgimento de máfias de traficantes de seres humanos e crimes violentos.
"Por aqui, as pessoas vão mais pela rejeição (...) elas acreditam que é o melhor caminho, porque têm medo de mudanças. Têm que comer, têm trabalho e acham que vão perder, " disse à AFP Alfredo Tolosa, um trabalhador de 47 anos de uma empresa madeireira em Tucapel, uma cidade de 13.000 habitantes na região de Biobío (sul).
A obrigatoriedade do voto, sob pena de uma multa máxima de 180.000 pesos (cerca de US$ 200), junto com o comparecimento dos jovens, pode inclinar a balança entre os eleitores habilitados.
Especialistas esperam a participação de mais de 11 milhões de pessoas, bem acima dos 8,3 milhões que votaram em dezembro, quando o esquerdista Gabriel Boric venceu a eleição presidencial, no que já se antecipa como uma "revolução participativa".
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SANTIAGO
Começa a contagem de votos no plebiscito constitucional do Chile
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