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Estado de Minas LEAWOOD

Kansas se pronuncia sobre aborto em teste para os EUA


02/08/2022 22:38

A população do Kansas foi às urnas nesta terça-feira (2) para se pronunciar sobre o direito ao aborto, na primeira consulta popular sobre o tema desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou o direito federal a esse procedimento, em junho.

Os cidadãos decidiram se eliminam da Constituição do estado conservador o direito à interrupção voluntária da gravidez. A decisão também é vista como um teste para o direito ao aborto em todo país, já que as legislaturas dominadas pelos republicanos se apressam em impor proibições rígidas ao procedimento, após a decisão da Suprema Corte de derrubar a sentença do caso Roe vs Wade, de 1973, que garantiu esse direito.

Outros estados, como Califórnia e Kentucky, votarão sobre a questão em novembro, juntamente com as eleições de meio de mandato, nas quais tanto republicanos, quanto democratas, esperam mobilizar seus defensores em todo país sobre o aborto.

No Kansas, a votação se concentrou em uma sentença de 2019 da Suprema Corte estadual que garante o acesso ao aborto até a 22ª semana de gestação. "Estas eleições estão uma loucura. As pessoas estão decididas a votar", comentou a funcionária eleitoral Marsha Barrett.

Momentos após o fechamento das urnas, às 19h locais, Scott Schwab, que supervisiona a votação, declarou que a participação foi de pelo menos 50%, um número esperado, segundo a imprensa local.

Um grupo de legisladores apresentou no Congresso estadual, dominado pelos republicanos, uma emenda conhecida como "Value Them Both" (Valorize os dois), que eliminaria o direito constitucional do estado, com o objetivo de devolver aos legisladores a regulamentação do procedimento.

Do outro lado, os ativistas veem a campanha como uma tentativa de abrir o caminho para uma proibição total. Um representante (deputado) estadual já apresentou um projeto de lei com o objetivo de proibir o aborto sem exceções, seja por estupro, incesto, ou risco para a vida da mãe.

A emenda representa um golpe na "autonomia pessoal", afirmou Ashley All, porta-voz da campanha pró-aborto Kansans for Constitutional Freedom (Kansenses pela Liberdade Constitucional).

Os ativistas também reclamam que a folha de votação é confusa. Votar "Sim" à emenda significa reduzir o direito ao aborto, enquanto quem quer manter esta prática intacta deve votar "Não".

Morgan Spoor, 19, votou pela primeira vez e quis promover "o direito a escolher". "Tenho muita vontade de fazer com que minha voz seja ouvida, principalmente como mulher. Acho que ninguém pode dizer o que uma mulher pode fazer com seu corpo."

Sylvia Brantley, 60, disse "sim" à emenda, porque acredita que "os bebês também contam". Ela explicou que deseja mais regulamentações para que o Kansas não seja um lugar "onde se matam bebês".

O resultado no Kansas pode ser um impulso, ou um golpe, para ambos os lados do debate sobre o aborto nos EUA. O estado está inclinado a apoiar o Partido Republicano, que defende uma regulamentação mais rígida do aborto.

Uma pesquisa de 2021 feita pela Fort Hays State University revelou, no entanto, que menos de 20% dos entrevistados nesse estado concordaram que o aborto deveria ser ilegal mesmo em casos de estupro ou incesto.


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