"Acredito que a sucessão constitucional deve ocorrer. Sem dúvida, o questionamento sobre outras pessoas, incluindo a vice-presidente, (isso) deve ocorrer imediatamente, o Congresso deve agir agora", declarou González à rádio RPP.
O ex-ministro, que estava no cargo há 15 dias, assegurou que sua demissão surpresa está ligada a uma decisão de Castillo de encobrir a corrupção no governo.
"Não tenho dúvidas de que esta saída abrupta tem a ver com a obstrução da justiça por parte da administração", acrescentou González.
"Acredito que para o esclarecimento da verdade e pelo país, o senhor (Castillo) deve se submeter à justiça", afirmou.
A denúncia de González provocou uma nova crise política entre o governo de esquerda e o Congresso dominado pela direita, que busca convocar uma sessão extraordinária para destituir o presidente Castillo.
Em apenas 12 meses, Castillo já teve que enfrentar duas votações de impeachment no Congresso por suposta incapacidade moral para seguir no cargo, segundo legisladores da oposição.
A presidente do Congresso, María del Carmen Alva, que estava no Panamá, disse que as declarações de González são graves e demonstram que o presidente obstrui o trabalho da justiça.
"O denunciado pelo ex-ministro Mariano González revela as intenções do governo de blindar foragidos criminais a todo custo. O Congresso atuará no marco da Constituição, colocando em primeiro lugar os interesses do nosso país, que é duramente atingido pelo atual desgoverno", declarou Alva.
"O principal problema de corrupção no Peru está no Palácio do Governo", acrescentou.
"Assim que instalada a nova Mesa Diretora do Congresso (em uma semana), apresentaremos uma moção de vacância", afirmou à imprensa o congressista Jorge Montoya, do partido de direita Renovação Popular.
- Declarações "nefastas" -
O ministro de Justiça, Félix Chero, classificou como "nefastas" as declarações de González, além de equivocadas.
Por sua vez, o chefe de gabinete, Aníbal Torres, respondeu que o ex-ministro deixou o cargo porque não atendeu às expectativas com relação à insegurança cidadã.
"(González) participou dos Conselhos de Ministros, um deles só um momento, depois se retirou sem dar explicação", contou Torres em coletiva de imprensa.
González afirmou que soube de sua demissão através de um tuíte de Castillo na noite de terça-feira.
A destituição do ministro ocorreu horas após o Ministério do Interior anunciar a formação de uma equipe especial de polícia para capturar três membros do gabinete presidencial investigados pelo Ministério Público por corrupção, que estão foragidos desde junho.
O presidente Castillo, que completa um ano no cargo em 28 de julho, também está sendo investigado.
Os três fugitivos são um ex-ministro de Castillo, um sobrinho que atuou como assessor do presidente e o ex-secretário da presidência peruana, todos membros da administração de Castillo desde o início de seu governo.
"Acredito que o senhor Castillo está obstruindo a justiça porque está impedindo o trabalho de agentes de inteligência especializados que procuram os fugitivos", acrescentou González.
O MP investiga Castillo por supostos crimes de tráfico de influência, organização criminosa e conluio agravado, por um caso que envolve seu entorno político e familiar.
O presidente não pode, porém, ser levado à Justiça, já que tem imunidade como chefe de Estado. Seu mandato termina em 2026.