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Estado de Minas WASHINGTON

EUA apontam 'corrupção' como principal ferramenta do tráfico de pessoas


19/07/2022 20:34

Os traficantes de pessoas usam "a corrupção" para que os governos façam vista grossa, afirmaram, nesta terça-feira (19), os Estados Unidos, ao apresentarem seu relatório anual sobre tráfico humano.

Existem cerca de 25 milhões de vítimas de tráfico humano em todo o mundo, declarou o secretário de Estado Antony Blinken durante a apresentação, na qual insistiu que "a corrupção continua sendo a principal ferramenta dos traficantes".

"Funcionários governamentais cúmplices podem fazer vista grossa diante de atividades ilícitas, proporcionar documentação falsa aos trabalhadores e alertar os traficantes", o que lhes permite agir com impunidade, acrescentou.

No continente americano, os EUA classificam Cuba, Venezuela e Nicarágua no Nível 3, que compreende os governos que não cumprem os padrões mínimos de luta contra o tráfico humano, ao lado de países como Malásia, Afeganistão, Eritreia, Guiné Bissau, Irã, Mianmar, Coreia do Norte, Rússia, Sudão do Sul, Síria e Turcomenistão.

Segundo os Estados Unidos, em alguns desses países os próprios governos participam do tráfico de pessoas, por exemplo como retaliação quando os cidadãos se expressam politicamente ou mediante trabalhos forçados em setores como a mineração, a exploração de madeira e a agricultura. E também enviando membros de grupos étnicos minoritários para serem "desradicalizados" em campos ou mandando trabalhadores para outros países sem dizer para onde vão, confiscando passaportes e salários, e vigiando seus movimentos.

Nesse sentido, citou o exemplo de Cuba, que segue "uma política ou padrão governamental" para tirar proveito de "programas de exportação laboral com fortes indícios de trabalho forçado, particularmente o seu programa de missões médicas no exterior".

Washington estima que Havana utiliza "táticas coercitivas" e não investigou as denúncias de "ONGs críveis, ex-participantes [dos programas] e governos estrangeiros".

O relatório sustenta que os médicos não são informados sobre os termos dos contratos, que variam de um país para o outro, têm seus salários e passaportes confiscados e são "ameaçados junto com suas famílias" se deixarem o programa.

Cuba vende serviços a outros países através das chamadas "missões internacionalistas" que incluem atividades médicas que classifica de "esforço solidário".

Não obstante, o relatório do Departamento de Estado americano observa que Cuba "tomou algumas medidas" contra o tráfico humano como a investigação, o julgamento e a condenação de traficantes.

- Da Venezuela ao Egito -

O Departamento de Estado também viu "algumas medidas" por parte do governo de Daniel Ortega na Nicarágua, como "os julgamentos de oito supostos traficantes e as condenações contra quatro traficantes sexuais", mas critica o país "por continuar minimizando a importância e a gravidade" do tráfico humano e pela corrupção "endêmica".

A Venezuela, por sua vez, está mais mal classificada porque "os representantes do regime não reportaram nenhuma assistência às vítimas, nem processos ou condenações a traficantes", diz o documento.

O relatório utiliza o termo "regime" para o governo de Nicolás Maduro, pois não reconhece sua reeleição após as acusações de fraude no pleito de 2018, e menciona o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino.

O tráfico de pessoas afeta especialmente as populações marginalizadas, as minorias, os pobres e, obviamente, os migrantes. No texto não faltam exemplos.

Diante da piora da situação econômica e da crise política, mais de seis milhões de venezuelanos fugiram do país e os traficantes se aproveitaram disso: em 2021, os traficantes atraíram mulheres, algumas delas transgênero, para Espanha e Alemanha, com uma oferta fraudulenta de emprego e as submeteram a procedimentos cirúrgicos forçados para explorá-las sexualmente.

Cita também o caso de Kali, que cresceu na Venezuela com sua mãe e seus dois irmãos e, quando estava terminando o curso de engenharia, antes que a universidade fechasse por conta da crise, soube que uma empresa de contratação internacional on-line oferecia vagas para babás. Recebeu uma proposta para trabalhar na casa de uma rica família do Egito, que, no entanto, tomou seu passaporte e a manteve cativa em um porão com mais mulheres e trabalhando sem receber. Ela conseguiu escapar e agora vive no Panamá.


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