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Estado de Minas PANAMÁ

Acordo avança no Panamá para pôr fim a protestos e bloqueio de vias


17/07/2022 12:08

Autoridades e coletivos populares chegaram, no sábado (16), a um acordo sobre uma redução melhor do que a anteriormente oferecida pelo governo no preço dos combustíveis.

Já os bloqueios de estrada que mantêm o país em risco de desabastecimento serão mantidos enquanto durarem as discussões para a redução nos preços de alimentos e remédios.

Após horas de negociações em uma escola de Santiago de Veraguas, 250 quilômetros a sudoeste da Cidade do Panamá, uma delegação do governo e representantes dos manifestantes chegaram a um princípio de acordo para reduzir os preços dos combustíveis.

O porta-voz das organizações que promovem os protestos, Luis Sánchez, detalhou que o preço da gasolina será reduzido para US$ 3,32 por galão (3,78 litros), valor inferior aos US$ 3,95 inicialmente oferecidos pelo governo.

Ele disse à imprensa, porém, que os bloqueios não serão suspensos até que o governo também diminua o preço de cerca de 40 produtos da cesta básica e de medicamentos.

"Não vamos desistir até que os três pontos sejam alcançados", frisou.

"Não vamos assinar nada" até que o governo apresente "respostas imediatas" para pôr fim aos bloqueios de estradas, insistiu Sánchez.

Há duas semanas, o país registra várias manifestações e bloqueios de estradas para exigir que o governo de Laurentino Cortizo intervenha e reduza os preços dos combustíveis, dos alimentos e de remédios. Eles também exigem que a adoção de medidas contra a corrupção.

- "Precisamos de acordos" -

Devido aos protestos, o governo se viu obrigado a baixar e a congelar o preço da gasolina, que passou de US$ 5,17 o galão (3,78 litros) para US$ 3,95 desde sexta-feira, assim como de uma dúzia de alimentos.

Os manifestantes consideraram essas medidas insuficientes.

Na Cidade do Panamá, algumas pessoas já estavam abastecendo seu veículo a US$ 3,95, mas nem todo mundo. Para isso, o usuário deve, primeiro, cadastrar-se em uma plataforma do governo.

"Parece um pouco absurdo ter que ingressar numa plataforma. Se você vai fazer uma coisa para todo mundo, coloque um preço fixo nisso", comentou Miguel Pedroso, indignado, enquanto colocava gasolina no carro.

Com 4,2 milhões de habitantes, o Panamá vive uma das maiores crises sociais desde a queda da ditadura militar do general Manuel Antonio Noriega, em 1989, após a invasão americana.

A insatisfação popular se dá em um cenário com 4,2% de inflação em maio, em termos interanuais; desemprego em torno dos 10%; e um aumento do preço dos combustíveis que, desde o início do ano, chegou a 47%.

No sábado (16), a Rodovia Pan-Americana, rota que conecta o Panamá à Costa Rica e principal via para o trânsito e o comércio de mercadorias, voltou a registrar bloqueios em vários de seus trechos.

A situação provocou escassez de combustível e de alimentos em vários supermercados do país.

Na província de Chiriquí, na fronteira com a Costa Rica e considerada o celeiro do país, produz-se a grande maioria das leguminosas, hortaliças, batatas e vegetais distribuídos no Panamá. Muitos dos alimentos estragaram, ou não chegaram a tempo aos diferentes mercados de abastecimento, devido aos bloqueios de estradas nessa província.

Os bloqueios também estão provocando o desabastecimento de combustível em Chiriquí, o que dificulta o uso de maquinário para pecuaristas e agricultores, que podem perder suas colheitas.

Nesse contexto, o governo da Costa Rica enviou aviões para o Panamá, com o objetivo de retirar cerca de 20 de seus cidadãos impossibilitados de retornar por terra para seu país.


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