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Estado de Minas NAHUALÁ

Aldeia maia da Guatemala se despede de jovem morto em caminhão nos EUA


16/07/2022 18:15

Em meio a choro e preces, uma aldeia no oeste da Guatemala se despediu neste sábado (16) do jovem indígena Melvin Guachiac, de 13 anos, o primeiro repatriado dos 21 guatemaltecos mortos em junho juntamente com outros migrantes de México e Honduras em um caminhão-reboque nos Estados Unidos.

O corpo do menor foi sepultado no cemitério de sua aldeia natal, Tzucubal, no município maia de Nahualá, onde foi velado por uma multidão desde a noite de sexta-feira, após ter sido trasladado do aeroporto da capital.

"Estamos nos consolando" com minha esposa, disse à AFP Casimiro Guachiac, de 37 anos, pai de Melvin. O homem, sem documentos, já estava radicado nos Estados Unidos e voltou para o funeral do filho. Ele contou que o adolescente fez a travessia apesar das advertências sobre o risco no trajeto.

Casimiro espera voltar aos Estados Unidos com um visto de trabalho temporário, com apoio oferecido pela Chancelaria guatemalteca. Muitos moradores do local viajam sem documentos, guiados por traficantes conhecidos como "coiotes", aos quais chegam a pagar até 14.000 dólares.

As autoridades guatemaltecas iniciaram com o adolescente a repatriação dos corpos dos 21 guatemaltecos identificados, após terem sido localizados junto aos de outros 32 migrantes em 27 de junho em um caminhão-reboque na cidade de San Antonio, estado do Texas, sul dos Estados Unidos.

A chancelaria da Guatemala tinha confirmado na semana passada 22 guatemaltecos no grupo de mortos, mas na sexta-feira revisou o número para 21, devido a uma retificação feita pelo necrotério do condado de Bexar, no Texas.

"Sinto dor no coração, na alma. Ele tinha um sonho, mas infelizmente não o realizou", disse Nicolás Tepaz, amigo de Melvin Guachiac.

Espera-se na noite deste sábado a chegada à Guatemala dos corpos de Wilmer Tulul (14), primo de Melvin, e de Jonny Tziquin (17), ambos originários de Tzucubal. Até agora, não foi estabelecida a data de repatriação dos corpos dos outros 18 migrantes.

Os migrantes vítimas da tragédia sofreram de hipertermia (aumento da temperatura corporal) e desidratação aguda ao viajarem em um reboque sem ventilação.

Anualmente, milhares de centro-americanos tentam chegar aos Estados Unidos de forma irregular, em busca de um emprego, fugindo da pobreza e da violência em seus países, e de uma crise econômica aprofundada pela pandemia de covid-19.


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