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Estado de Minas TEERÃ

Chefe da diplomacia da UE visita Irã para discutir negociação nuclear


24/06/2022 18:35

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, chegará nesta sexta-feira (24) a Teerã para retomar as negociações sobre o programa nuclear iraniano, estagnadas desde março.

Borrell chegará na parte da noite e se reunirá com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir, e com outras autoridades, segundo um porta-voz da Chancelaria iraniana.

"A diplomacia é a única forma de voltar a uma plena aplicação do acordo nuclear e superar as tensões atuais", disse Borrell no Twitter depois que a UE confirmou sua visita de dois dias ao Irã.

A viagem de Borrell ocorre em um momento de estagnação das negociações iniciadas em abril de 2021 entre Irã e as grandes potências Rússia, Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Alemanha.

O diálogo tem como objetivo que os Estados Unidos retornem ao acordo internacional alcançado em 2015 para limitar o programa nuclear iraniano.

Washington se retirou unilateralmente do pacto em 2018 durante o governo de Donald Trump e o Irã se desligou progressivamente de seus compromissos.

O pacto de 2015 aliviou as sanções sufocantes contra o Irã em troca de uma limitação do programa nuclear de Teerã, acusado de tentar desenvolver uma bomba atômica, apesar de sua versão de que tinha apenas finalidades civis.

- "Oportunidade diplomática" -

O restabelecimento por parte de Trump das sanções econômicas contra o Irã gerou indignação em Teerã.

Os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas com o Irã desde 1980, de modo que as negociações ocorrem indiretamente em Viena, com a mediação da UE. Tanto Washington quanto Teerã se acusam mutualmente pelo impasse.

Segundo a Chancelaria do Irã, a visita "faz parte das consultas em andamento entre Irã e UE, se concentrará nas relações bilaterais, em algumas questões regionais e internacionais, assim como na evolução das negociações para o levantamento das sanções".

A UE confirmou em nota a visita de Borrell ao Irã em 24 e 25 de junho "como parte dos esforços em andamento para voltar a uma aplicação total" do acordo de 2015.

"Estamos prontos para concluir este acordo e instamos o Irã a aproveitar esta oportunidade diplomática para alcançá-lo agora, enquanto ainda é possível", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França em comunicado.

- "Golpe fatal" -

Enrique Mora, o negociador da UE encarregado de coordenar as negociações nucleares com o Irã, postou no Twitter na noite de quinta-feira uma foto de um jantar em Bruxelas entre ele, Borrell e o enviado especial dos EUA para o Irã, Robert Malley.

O governo do presidente americano Joe Biden afirmou que quer voltar a fazer parte do acordo, com a condição de que o Irã renove seus compromissos, enquanto o Irã exige primeiro o levantamento das sanções.

Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano disse que seu país espera "seriamente chegar a um acordo justo, forte e duradouro", durante uma conversa com seu homólogo russo Serguéi Lavrov em Teerã.

O chanceler iraniano pediu a Washington para "mostrar realismo".

No início de junho, o Irã desligou algumas das câmaras de vigilância da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de suas instalações nucleares, depois que os Estados Unidos e os países europeus votaram uma resolução em 8 de junho denunciando a falta de cooperação de Teerã.

No entanto, o Irã afirma que todas essas medidas são "reversíveis" uma vez que um acordo seja alcançado em Viena.

O diretor-geral da AIEA, o argentino Rafael Grossi, afirmou que se o bloqueio persistisse, a organização não poderia mais fornecer informações sobre o monitoramento do programa nuclear iraniano e alertou que isso seria um "golpe fatal" ao acordo de 2015.


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